Victor R. Caivano/AP
Victor R. Caivano/AP

Acidente de trem na Argentina mata 11

Colisão entre ônibus e duas composições em Buenos Aires também fere mais de 200

, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2011 | 00h00

BUENOS AIRES

Pelo menos 11 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas ontem na colisão de um ônibus e dois trens no bairro de Flores, na periferia de Buenos Aires. O acidente aconteceu na linha Sarmiento, que liga a estação Onze, no centro da cidade, com a periferia oeste, no horário de pico do início da manhã. Foi o pior acidente ferroviário do país nos últimos 50 anos.

O trem se chocou contra um ônibus que tentava lentamente cruzar os trilhos. O veículo foi esmagado e arrastado até a plataforma, onde ficou prensado. Com a colisão, o trem descarrilou e atingiu outra composição que estava parada na estação, no sentido oposto.

Um vídeo do acidente mostra o ônibus desviando de uma barreira de proteção que estava semilevantada, em um ângulo de 45 graus, apesar dos sinais luminosos e sirenes que alertavam para a chegada iminente do trem.

O gerente de Relações Institucionais da empresa Trens de Buenos Aires (TBA), Gustavo Gago, informou que o sistema de segurança funcionava normalmente e disse que a companhia vai esperar o resultado da perícia para apurar as responsabilidades.

O secretário de Transporte, Juan Pablo Schiavi, afirmou que "mesmo com a barreira em posição de 45 graus, ninguém pode passar". Por outro lado, Schiavi destacou que não é possível tirar conclusões antes das perícias.

O acidente ocorreu às 6h15 da manhã (horário local), quando a população usa o transporte público para chegar até o local de trabalho. Há muitas crianças feridas, já que os pais levavam os filhos à escola. Pelo menos 20 feridos foram hospitalizados em estado grave.

Entre os feridos, além de passageiros do trem e do ônibus, estão pessoas que esperavam na plataforma. Todos os mortos eram passageiros do ônibus. Um dos últimos a ser retirado com vida foi o maquinista do trem que colidiu com o ônibus, que passou mais de duas horas preso entre as ferragens. O motorista do ônibus morreu no impacto.

No bairro de Flores, como ocorre em muitos cruzamentos de Buenos Aires, os prédios ficam tão perto dos trilhos que os motoristas têm pouca visibilidade dos trens que se aproximam.

Tragédia anunciada. Foi o quinto acidente nos cruzamentos de diferentes linhas ferroviárias de Buenos Aires. São mais de 100 em toda a cidade, testando a paciência de motoristas e pedestres que muitas vezes são flagrados ignorando as luzes, sinais e barreiras que alertam para a aproximação dos trens.

De acordo com a autoridade reguladora dos transportes na Argentina, 440 pessoas e 165 veículos foram atingidos por trens na área metropolitana de Buenos Aires no ano passado, provocando 269 mortes - média de uma a cada dois dias.

O risco de eventuais colisões aumenta na hora do rush, especialmente perto das estações, onde trens chegam em intervalos de poucos minutos e as barreiras permanecem abaixadas enquanto os passageiros embarcam e desembarcam.

A linha Sarmiento liga o centro com o subúrbio de Moreno e passa por mais cruzamentos entre ruas do que todas as outras linhas da capital. Por mês, a linha transporta mais de 700 mil passageiros. Um projeto orçado em US$ 1,2 bilhão para transferir seus trilhos para um túnel tem sido adiado há mais de uma década. Também foi descartada a possibilidade de um túnel no local do acidente de ontem. / AP, COM MARINA GUIMARÃES

 

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