Acidente de trem na Argentina pode influenciar eleições

O terceiro acidente grave com trens metropolitanos registrado na capital argentina em menos de dois anos, ocorrido neste sábado (19), pode cobrar uma conta política alta para a presidente Cristina Kirchner nas eleições parlamentares marcadas para o final deste mês.

Agência Estado

19 de outubro de 2013 | 21h47

Pelo menos 80 pessoas ficaram feridas no acidente de hoje, quando a composição da movimentada linha Sarmiento não conseguiu parar e alguns de seus vagões saíram dos trilhos e atingiram a plataforma da estação Once, por volta das 7h30 da manhã, horário local.

O governo argentino tem tido um papel cada vez maior na operação e regulação do sistema de trens de passageiros da Argentina, após uma série de acidentes fatais e lapsos de segurança desde o início do segundo mandato de Cristina Kirchner, em dezembro de 2011. O mais recente acidente aconteceu enquanto eleitores se preparam para ir às urnas, no dia 27 de outubro.

A expectativa é que a Frente Vitória (da presidente Cristina Kirchner) tenha um desempenho fraco nas eleições de meio de mandato, após ter recebido cerca de 30% dos votos nas primárias de agosto, uma queda significativa frente os 54% que Cristina recebeu em 2011, quando obteve a reeleição. Segundo pesquisas de intenção de voto, a Frente Vitória deverá manter a maioria na Câmara, mas a maioria no Senado pode estar em perigo.

Uma investigação sobre o acidente deste sábado está em andamento, e um relato de uma testemunha aponta para erro do condutor, afirmou o secretário de Segurança, Sergio Berni. O condutor chegou a ser ameaçado, logo após o acidente, por passageiros enfurecidos e agora está sob custódia policial em um hospital local, onde ele está sendo tratado de ferimentos não considerados graves.

A empresa operadora dos trens, UGOMS, declarou em comunicado que "em nenhum momento foi reportada qualquer falha [mecânica]" antes do acidente. A informação também foi salientada, durante coletiva de imprensa, pelo ministro do Interior, Florencio Randazzo, cujo ministério é responsável por regular os trens e as eleições nacionais. O ministro também afirmou que os freios foram inspecionados na sexta-feira.

Mas também é de conhecimento público que a indústria ferroviária da Argentina sofre com décadas de investimentos abaixo dos níveis necessários. Em janeiro a presidente Cristina anunciou um plano de dois anos para investir 4,9 bilhões de pesos (US$ 845 milhões) para substituir os trens mais velhos e melhorar a infraestrutura ferroviária. No ano passado, Randazzo havia prometido 800 milhões para melhorar as condições da linha Sarmiento. As informações são da Dow Jones e Associated Press.

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