Acidente do E-190 ameaça negócios da empresa no país

PEQUIM

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

A China é o segundo maior mercado para a Embraer depois dos EUA e o acidente com o E-190 ocorre no momento em que a empresa brasileira tenta convencer as autoridades de Pequim a permitir a produção desse modelo em uma fábrica no nordeste do país, onde atualmente é montado um avião menor da companhia brasileira, o ERJ-145.

As negociações arrastam-se desde o ano passado e a China resiste em dar sinal verde à fabricação do E-190. Sem isso, a Embraer teme perder espaço no mercado de aviação que cresce mais rapidamente em todo o mundo. A falta de acordo põe em risco a venda de 45 jatos E-190 encomendados pela Kunpeng Airlines em 2007, cuja entrega é adiada pelos chineses desde então. Kunpeng é o antigo nome da Henan Airlines, a empresa que possui cinco aviões E-190 em sua frota, um dos quais caiu no nordeste da China anteontem.

A produção do modelo no país asiático seria uma forma de garantir a venda das 45 aeronaves. A China tem uma forte política industrial para o setor e dá prioridade à compra de aviões que tenham sido ao menos parcialmente produzidos no país.

A fábrica localizada na cidade de Harbin, perto da fronteira com a Rússia, é fruto de uma joint venture com a estatal Avic e entregará as últimas encomendas do ERJ-145 no ano que vem.

Se não houver acordo para a fabricação do modelo E-190, é provável que a empresa brasileira deixe de produzir aviões na China. O interesse dos chineses na fabricação do jato brasileiro diminuiu depois que a Avic desenvolveu um modelo de avião de porte semelhante, o ARJ21.

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