Acidente no metrô de Valência deixa ao menos 34 mortos

Investigações preliminares indicam que o excesso de velocidade e uma roda quebrada foram as causas do acidente que deixou pelo menos 34 pessoas mortas no início da tarde desta segunda-feira no metrô da cidade portuária de Valência, na Espanha. Segundo as autoridades locais, a composição, formada por quatro vagões e com 150 passageiros a bordo, descarrilou e capotou por volta das 13 horas locais entre as estações Jesús e Plaza de España da linha 1 do metrô da cidade. Informações atribuídas à polícia pelo jornal espanhol El País dão conta de que o trem poderia estar tão rápido que o primeiro de seus quatro vagões descarrilou, fazendo com que uma roda do segundo quebrasse. O incidente teria provocado o capotamento do segundo vagão. Ainda de acordo com o periódico, o acidente ocorreu em uma curva sinalizada como "zona perigosa".Um porta-voz do governo de Valência assegurou que as primeiras investigações descartam qualquer possibilidade de que o acidente tenha sido produzido por um atentado terrorista. Ainda assim, para algumas das fontes ouvidas pelo El País, é cedo para conhecer as verdadeiras causas do descarrilamento.Em Madrid, a Polícia Nacional determinou que as investigações sejam conduzidas por especialistas de sua divisão científica. O conselheiro valenciano de Infra-estrutura e Transporte, José Ramón García Antón, informou que a composição acidentada passou por uma revisão na semana passada, e que estava em "perfeitas condições de funcionamento".Mortos e feridosApós as especulações iniciais acerca do número exato de mortos, o governo local fixou provisoriamente em 35 o número de falecidos no acidente, informou a agência de notícias EFE. De acordo com a Associated Press, o número de vítimas pode estar entre 34 e 36 mortos.Segundo o porta-voz do executivo regional, Vicente Rambla, equipes de policiais e bombeiros continuam no túnel do metrô retirando os corpos e restos mortais das vítimas. Por isso, explicou, ainda não é possível estabelecer o número exato de mortos, pois "é difícil identificar os corpos", pois muitos "tiveram membros cortados".Ainda de acordo com Rambla, 47 pessoas feridas foram atendidas, doze das quais continuam hospitalizadas. Duas permanecem em estado "muito crítico".Visita papalValência, uma das maiores cidades da Espanha com 800 mil habitantes, prepara-se para receber no próximo sábado e domingo a visita do papa Bento XVI, que participará dos atos do Encontro Mundial das Famílias. Cerca de 1,5 milhão de peregrinos devem viajar para a cidade.Diante do acidente, o Papa expressou seu "profundo pesar" pelas mortes. Em uma mensagem às autoridades valencianas, ele ofereceu "votos pelo eterno descanso dos falecidos".Bento XVI chegará à cidade no sábado, quando se apresentará a milhares de peregrinos e se reunirá com o rei Juan Carlos, a rainha Sofía e com o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.Já Zapatero, em viagem oficial à Índia, antecipou seu regresso à Espanha devido ao acidente. Ele expressou suas condolências aos familiares das vítimas. "Eu gostaria de expressas minhas profundas condolências aos familiares das vítimas e a toda a nação", disse Zapatero em uma coletiva de imprensa."Eu gostaria de enviar uma mensagem a toda a cidade de Valência. Vocês superarão esse duro momento", acrescentou.O Parlamento Europeu fez um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.Este foi o segundo acidente no metrô valenciano em menos de um ano. Em setembro de 2005, uma colisão envolvendo três composições na mesma "linha 1" deixou ao menos 30 pessoas feridas, quatro delas gravemente. Mais de 60 milhões de pessoas utilizaram o metrô da cidade em 2005. Por dia, cerca de 165 mil passageiros passam pelo sistema, que tem quatro linhas e 116 estações. O pior acidente ferroviário na Espanha aconteceu no dia 11 de março de 2004, quando 191 pessoas morreram e mais de 1.500 ficaram feridas após um ataque terrorista promovido por radicais islâmicos.

Agencia Estado,

03 de julho de 2006 | 18h27

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.