Acidente pode prejudicar exportações ferroviárias chinesas

Um grave acidente de trem ocorrido no fim de semana gerou preocupações com a segurança da rede ferroviária da China, e ameaça prejudicar os planos do país para exportar sua tecnologia de trens velozes.

ALISON LEUNG E FANG YAN, REUTERS

25 de julho de 2011 | 18h03

Essa inquietação chegou a causar uma queda de até 16 por cento nas ações das empresas ferroviárias chinesas.

"Acho que desde 2008 a China tem experimentado o que chamamos de 'grande salto à frente' na construção ferroviária", disse Ren Xianfang, analista-sênior da IHS Global, em Pequim. "Há muito tempo tínhamos suspeitas de que a velocidade da construção era insustentável."

Ren alertou que "há muitas falhas sistêmicas na gestão da linha férrea de alta velocidade na China", o que resulta dos baixos investimentos na infraestrutura informática.

"Então, embora tenhamos uma infraestrutura física construída com muita rapidez, a gestão de software não acompanhou", disse Ren. "Este acidente acima de tudo muda a percepção sobre todas as coisas relacionadas às ferrovias de alta velocidade na China."

No sábado, pelo menos 36 pessoas morreram na colisão entre dois trens de alta velocidade, no pior desastre ferroviário no país desde 2008. No dia seguinte, três altos funcionários da administração ferroviária foram demitidos.

No domingo, o departamento central de propaganda emitiu diretrizes à mídia para a cobertura do acidente, orientando os jornalistas a não questionarem os relatos oficiais do acidente.

Um porta-voz da empresa China South Locomotive, que fabricou ambos os trens (um deles em parceria com a canadense Bombardier), disse que o acidente foi provocado por falhas na sinalização.

"A qualidade dos trens é boa. Nenhum deles havia tido acidentes previamente. É o sistema de sinalização que falhou", afirmou.

A China há anos vem desenvolvendo uma malha ferroviária de alta velocidade capaz de concorrer com os famosos trens-bala japoneses. Pequim também pretende usar a tecnologia adquirida ou desenvolvida nesse processo para exportar trens ao exterior, o que é parte de um esforço para que o país deixe de ser apenas um fornecedor de produtos baratos para se tornar também um exportador de alta tecnologia.

O plano quinquenal em vigor até 2015 prevê investimentos de 3,6 a 4 trilhões de iuans (540 a 607 bilhões de dólares) no setor ferroviário.

(Reportagem de Alison Leung e Anne Marie Roantree em Hong Kong, Fang Yan em Pequim, Yoko Kubota em Tóquio e John McCrank em Toronto)

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