Acnur retira funcionários de parte do Afeganistão

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) anunciou nesta terça-feira a interrupção de seus trabalhos no Afeganistão e a retirada de parte de seu pessoal internacional depois da morte de Bettina Goislard, uma funcionária francesa da entidade da assassinada em Ghazni durante o fim de semana. Segundo o Acnur, o trabalho de repatriar afegãos está suspenso e os escritórios da entidade e Kandahar, Gardez e Jalalabad foram fechados temporariamente. A funcionária foi morta a tiros por duas pessoas. Ontem, a ONU recebeu informações que apontavam para membros do Taleban como os responsáveis pelos disparos que também deixaram outros funcionários do Acnur feridos. A agência da ONU afirma que, diante da violência, todas as viagens terrestres de seus funcionários estão proibidas, o que dificultará a volta de refugiados afegãos ao país. Desde que o regime do Taleban foi derrubado, no fim de 2001, cerca de 2,5 milhões de afegãos que haviam deixado o país estão de volta a suas cidades de origem. O problema é que muitos desses refugiados encontraram suas casas e vilas completamente destruídas e a ONU foi obrigada a ajudá-los a reconstruir suas vidas. Com o inverno se aproximando, muitos desses refugiados dependiam dos funcionários da ONU para conseguir alimentos, cobertores e remédios. Os afegãos que ainda não conseguiram encontrar locais para se instalar continuam nos campos montados pela ONU e, com o fechamento dos escritórios, a assistência também poderá ser afetada. O anúncio feito pela ONU vem em um momento crítico para o Afeganistão. Depois de alguns meses de calma e relativa estabilidade, os ataques contra alvos estrangeiros recomeçaram e para a ONU, deixam claro que a segurança no país não está totalmente garantida. A decisão também reforça a pressão para que soldados internacionais sejam enviados às províncias do país, e não apenas para a capital Cabul.

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