Ações americanas caíram com torres do WTC

Os ataques terroristas do dia 11 de setembro derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center e também o preço das ações norte-americanas, transformando a semana de reabertura das bolsas de valores na segunda pior semana da história em termos de desempenho negativo. Depois da interrupção de quatro pregões, o índice Dow Jones caiu 14,3% ao final da primera semana de negócios, no dia 21 de setembro. A Nasdaq levou um tombo pior: queda de 16%. Agora, os estrategistas de ações dos Estados Unidos conseguem ver algum sinal positivo daquela tragédia. ?Os ataques terroristas acabaram acelerando o que o mercado estava tentando prever até então: atingimos o ponto mais baixo (?bottom?) em termos de preços das ações?, afirmou à Agência Estado o estrategista-senior de investimentos do banco Lehman Brothers, Charles Reinhard. Para ele, o nível de fechamento do índice S&P 500 do dia 21 de setembro, de 965 pontos, foi provavelmente o piso de preços. Ele acredita que os índices de ações deverão entrar numa tendência de alta em algum momento neste trimestre. ?O mercado já precificou todos os impactos negativos da tragédia. Depois dos ataques do dia 11 de setembro, será muito difícil acrescentar, por exemplo, alguma surpresa negativa em termos de lucro das empresas e outros indicadores?, afirmou. Reinhard, que projeta um nível de 1.200 pontos para o S&P 500 em doze meses, acredita que a queda nos lucros das empresas norte-americanas atingirá o seu ponto máximo neste trimestre, quando prevê uma retração de 27% no lucro médio no âmbito do S&P 500. Segundo o estrategista do Lehman Brothers, a recuperação nos lucros das empresas deverá se dar num ciclo em V, ou seja, após uma forte contração, a recuperação será acelerada, em resposta ao agressivo corte das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) e também pelo estímulo fiscal do governo norte-americano. Já para a própria economia norte-americana, Reinhard espera uma contração mais moderada também seguida de recuperação mais moderada (no ciclo em U). Ele projeta uma contração de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre deste ano, de 1,4% no quarto trimestre, e de um desempenho praticamente estável (+ 0,1%) no primeiro trimestre de 2002. ?O corte das taxas de juros deverão ter efeito no início do próximo ano?, previu. Na opinião do estrategista-chefe de investimentos para Estados Unidos da agência de rating Standard & Poor?s (S&P), David Blitzer, o mercado acionário norte-americano provavelmente já atingiu o fundo do poço. ?O pior já passou em termos de preço das ações?, disse Blitzer em entrevista à Agência Estado. Ele projeta um nível entre 1.050 pontos e 1.100 pontos para o S&P 500 no final deste ano e de 1.200 pontos a 1.250 pontos como meta para o S&P 500 no final de 2002. ?O mercado acionário deverá antecipar a recuperação da economia como resultado do enorme estímulo monetário e fiscal do governo norte-americano?, disse Blitzer. Além de acreditar que os ataques terroristas do dia 11 de setembro anteciparam o ?bottom? em termos de preço de ações, Blitzer considera que a tragédia também irá acelerar algumas tendências já em andamento em vários setores da economia norte-americana. ?Antes dos ataques, as companhias aéreas dos Estados Unidos já se preparavam para um período de consolidação. Agora, com os prejuízos causados às viagens aéreas, não me surpreenderia em ver a fusão ou consolidação entre duas grandes companhias aéreas do país?, disse. Entre os setores que deverão liderar a recuperação do mercado acionário em 2002, Blitzer aposta nas companhias de seguro de saúde, da área de varejo e de consumo, e de telecomunicações. Já o estrategista-chefe de investimentos para os Estados Unidos do Deutsche Bank, Edward Yardeni, alerta que, apesar de os preços de ações terem atingido provavelmente o piso, o mercado ainda poderá testar nas próximas semanas o piso do dia 21 de setembro, quando o S&P 500 fechou a 965 pontos e o Dow Jones, a 8.235 pontos, uma vez que muitos analistas poderão anunciar redução nas suas projeções de lucros das empresas para o resto deste ano e para todo o ano que vem. ?Podemos ter atingido o piso, mas o potencial de alta nos próximos doze meses será limitado?, afirmou. Yardeni projeta uma recuperação para o Dow Jones no nível de 10.000 pontos durante o primeiro semestre de 2002. ?O recorde do Dow é de 11.722 pontos, atingido em 14 de janeiro do ano passado. Não acredito que esse recorde deva ser quebrado até o final de 2002 ou até o início de 2003?, explicou. Yardeni disse concordar com o cenário de uma recessão (ou recuperação) em V, mas ressalta que a retração poderá ser mais profunda e prolongada do que os analistas em Wall Street esperam atualmente. ?Eu vejo o ?bottom? (da economia) acontecendo por volta de março ou abril de 2002, e não em dezembro de 2001 ou janeiro de 2002?, disse. Para ele, a recuperação deverá ser robusta durante o segundo semestre de 2002 em reação do forte estímulo monetário e fiscal que está sendo colocado em prática pelo governo. Yardeni acredita que tanto neste trimestre quanto no primeiro trimestre de 2002 a retração econômica será mais severa. A Economia Um Mês Depois dos Atentados nos EUA - Índice

Agencia Estado,

11 Outubro 2001 | 10h07

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