Ações disparam no exterior

Investidores associavam ex-líder argentino à insegurança e imprevisibilidade

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2010 | 00h00

A morte do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner fez o valor das ações de empresas argentinas e os papéis da dívida do país dispararem ontem nas bolsas mundiais. Em Nova York, a alta foi a maior em dois anos.

A esperança do mercado é a de que a morte de Kirchner seja o início do fim de uma era de confrontos entre as autoridades argentinas e investidores estrangeiros.

Em 2002, a Argentina decretou um calote de US$ 95 bilhões. Ao assumir o poder, em 2003, Kirchner disse que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os mercados internacionais eram os responsáveis pelo quase colapso da Argentina no início da década e anunciou que investidores não teriam uma vida fácil no país. Além disso, iniciou a maior reestruturação da dívida externa argentina desde 1945.

Ainda hoje, credores mantêm processos em cortes internacionais contra a Argentina pelo calote que afirmam ter sofrido. "Para a perspectiva do mercado, não há nada melhor que saber que Kirchner estará fora das eleições de 2011", afirmou Roberto Sanchez-Dahl, da Federated Investment Management.

O risco Argentina também caiu ontem em 50 pontos, o que representou uma valorização de 4% para os papéis da dívida da Argentina. Para Richard Segal, da Knight Libertas, em Londres, a saída de cena de Kirchner "reduz riscos políticos".

As ações nos EUA das empresas argentinas subiram 7,9%, depois de atingir mais de 13% no início da tarde. As ações da Tele Argentina subiram 7,3%. O Grupo Financeiro Galicia atingiu alta de 8,7% e chegou a registrar ganhos de 26%.

A esperança do mercado é que políticas mais abertas aos investidores internacionais sejam adotadas. Outras problemas referem-se à inflação de mais de 20% e os gastos públicos considerados insustentáveis.

Mas o governo defende sua posição: o desemprego caiu para 7,9% e a previsão é de um crescimento da economia de 9% este ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.