Ações do Exército de Israel deixam 14 palestinos mortos

Catorze palestinos foram mortos nesta quinta-feira em meio aos mais intensos confrontos ocorridos na Faixa de Gaza nos últimos meses, e em atos de violência na Cisjordânia. Entre os 11 palestinos mortos no campo de refugiados de Jabaliya, na Faixa de Gaza, figuram oito pessoas que, segundo testemunhas, foram atingidas por uma bomba lançada por um tanque contra uma multidão que observava um incêndio numa fábrica de móveis.Israel insiste que atirou apenas contra "homens armados".Mais de 140 palestinos ficaram feridos na ação, 35 deles em estado grave, informaram fontes hospitalares. Um cinegrafista da Reuters e um fotógrafo estão entre os feridos.Na Cisjordânia, outros três palestinos - um pistoleiro, um adolescente e uma mulher de 55 anos que cortava grama para seu rebanho quando foi baleada na cabeça - foram assassinados pelos soldados do Exército do Estado judeu.Ao cair da noite de hoje, testemunhas denunciaram que 40 tanques israelenses moviam-se na direção de Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza, sinalizando uma nova incursão em grande escala na região, num intervalo de poucos dias. O Exército de Israel ainda não comentou a ação. E outros cem tanques rumavam novamente em direção ao campo de refugiados de Jabaliya.A incursão da madrugada contra o campo de refugiados ocorreu horas depois de um militante palestino ter detonado em Haifa os explosivos atados a seu corpo, suicidando-se e causando a morte de 14 israelenses e um norte-americano.A nova escalada de violência ocorre num momento em que um eventual ataque dos Estados Unidos contra o Iraque parece mais próximo.Os combates atrapalham a intenção de Washington de manter em baixa o conflito palestino-israelense enquanto calcula seus próximos passos contra Bagdá.O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, voltou a comparar os atentados palestinos a atos terroristas internacionais.Os palestinos, por sua vez, dizem travar uma luta legítima contra a ocupação militar israelense dos territórios onde pretendem fundar seu futuro Estado independente e soberano."O terror contra as torres gêmeas é o mesmo terror que mata nossos estudantes", disse Sharon nesta quinta-feira, referindo aos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e à explosão de ontem em Haifa.O Exército de Israel informou que a incursão em Jabaliya não foi uma retaliação, mas sim uma ação militar preparada com antecedência.O atentado contra Haifa foi a primeira operação suicida palestina desde 5 de janeiro. Nenhum grupo assumiu a autoria da ação, mas o homem-bomba foi identificado como militante do grupo islâmico Hamas.Com cerca de 110.000 moradores, Jabaliya - perto da Cidade de Gaza - é o maior campo de refugiados palestinos da região, e talvez o mais militante.Desde meados de fevereiro, Israel vem atacando cidades e campos de refugiados em Gaza quase todas as noites. O objetivo declarado é reprimir supostos militantes do Hamas. As ações militares israelenses já deixaram mais de 60 palestinos mortos nas últimas três semanas.Comentaristas israelenses disseram que o Exército escolheu um péssimo momento para a incursão em Jabaliya, pois a simpatia mundial a Israel pelo atentado contra o ônibus foi rapidamente dissipada pelo alto número de mortos entre os palestinos.

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