Osman Orsal / REUTERS
Osman Orsal / REUTERS

Ações policiais contra a mídia são resposta a complô sujo, diz presidente turco

Incursões no fim de semana marcam uma escalada na batalha de Erdogan contra seu ex-aliado Fetullah Gulen, com quem tem estado em confronto aberto desde o início de uma investigação sobre casos de corrupção contra assessores do líder

O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2014 | 15h45


IZMIT, TURQUIA - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta segunda-feira,15, que as incursões policiais em veículos de comunicação ligados a um clérigo muçulmano seu opositor que vive nos Estados Unidos, durante o fim de semana, fazem parte de uma resposta necessária contra "operações sujas" de inimigos políticos e rejeitou críticas da União Europeia (UE). A polícia deteve 24 pessoas, incluindo executivos de alto escalão e ex-chefes de polícia no domingo.

As incursões no jornal Zaman e na TV Samanyolu marcam uma escalada na batalha de Erdogan contra seu ex-aliado Fetullah Gulen, com quem tem estado em confronto aberto desde o início de uma investigação sobre casos de corrupção nos contatos mais próximos do presidente.

Erdogan acusa Gulen de estabelecer uma estrutura "paralela" no Estado por meio de aliados infiltrados no Judiciário, polícia e outras instituições, enquanto fortalecia sua influência pela mídia. O clérigo nega qualquer ambição de derrubar Edorgan. "Eles gritam liberdade de imprensa, mas (as incursões) não tem nada a ver com isso", disse Edorgan durante a inauguração de uma ampliação de uma refinaria de petróleo perto de Istambul. 

A União Europeia, da qual a Turquia almeja fazer parte, disse no domingo que as ações policiais infringem valores europeus. Nesta segunda-feira, o Comissário de Expansão da UE, Johannes Hahn, disse que as incursões não são "mesmo um convite para que se continue indo adiante" com a Turquia. "Não temos nenhuma preocupação sobre o que a UE deve dizer, se a UE nos aceita como membros ou não, não temos preocupações do tipo", respondeu Erdogan.

O presidente disse que os padrões democráticos da Turquia estavam em ascensão e que as operações contra a rede de Gulen integram esforços para "desenraizar forças antidemocráticas", garantindo que elas iriam continuar. "Esse processo é o plantio das sementes de uma nova Turquia", disse. "Aqueles que tentam se envolver em negócios sujos e relações sujas com a esperança de retornar a Turquia a seus antigos dias estão recebendo a resposta necessária, e vão continuar a receber." / REUTERS 

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