Acordo abre caminho para devolução de obras roubadas por nazistas

Equipe investigará a origem de 1,2 mil peças de arte, entre elas quadros de Matisse e Picasso

O Estado de S. Paulo,

08 de abril de 2014 | 11h02

BERLIM  -O governo da Alemanha anunciou na segunda-feira, 7, um acordo com Cornelius Gurlitt, filho de um negociante de arte da era nazista, que pode abrir caminho para a restituição de obras roubadas durante a Segunda Guerra Mundial de judeus perseguidos pelo regime de Adolf Hitler. Advogados de Gurlitt e autoridades do Estado da Bavaria concordaram que uma equipe internacional analisará as peças, apreendidas no apartamento dele, em 2012.

O acordo entrará em vigor assim que as obras forem liberadas pela polícia e se aplica à toda coleção de 1280 peças, com quadros de Matisse e Picasso e Guaguin, entre outros mestres da pintura. Elas foram apreendidas pela promotoria de Augsburg em uma investigação sobre evasão fiscal em novembro passado.

O porta-voz de Gurlitt, Stephan Holzinger diz que espera uma decisão rápida em razão do estado de saúde de seu cliente, que tem problemas cardíacos. "Estamos falando de uma equipe de elite e, dado o estado de saúde do senhor Gurlitt, espera-se que eles façam o trabalho dentro do prazo de um ano."

A ministra da Cultura da Alemanha, Monika Grütters, que tornou a resolução do impasse sobre a coleção prioridade no seu mandato, elogiou o acordo. Segundo ela, o pacto abre caminho para a criação de um centro independente de verificação para a retribuição de peças roubadas durante o nazismo. "Nossa experiência nesse caso influenciará o novo Centro de Arte Perdida", declarou.

O vice-presidente da Conferência Judaica Greg Schneirder teme que parte das obras sejam devolvidas à família de Gurlitt antes de serem completamente identificadas ao fim do prazo estipulado de um ano. "Devolver a coleção sem o fim da investigação seria um erro", disse. "Ou o governo se compromete a fazer o trabalho ao final do prazo, ou o estende." / NYT

 

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