AFP / Saul Loeb
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Acordo com as Farc seguirá justiça internacional, diz presidente colombiano

Santos, que negocia paz com a guerrilha, visita os EUA no marco dos 15 anos do Plano Colômbia e será recebido por Obama hoje na Casa Branca

O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2016 | 22h24

WASHINGTON - O acordo de paz que o governo da Colômbia e a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) esperam fechar cumprirá os padrões internacionais de justiça e não deixará impunes os crimes do conflito armado, afirmou nesta quarta-feira em Washington o presidente Juan Manuel Santos.

“Estamos contendo a fábrica de violações aos direitos humanos, que é a guerra, e ao mesmo tempo cumprindo com os padrões mínimos”, disse Santos em uma conferência no Wilson Center, um centro de análises na capital americana. 

Santos está nos EUA para uma visita oficial e deve se encontrar hoje com o presidente Barack Obama na Casa Branca. A visita ocorre no contexto dos 15 anos do acordo bilateral Plano Colômbia.

Com Obama, Santos discutirá a reformulação da assistência de Washington ao pós-conflito no país, que em 15 anos recebeu US$ 10 bilhões em financiamento americano por meio do Plano Colômbia.

“Temos sido muito cuidadosos na discussão do elemento de justiça nas negociações para cumprir com os padrões internacionais”, disse o presidente, se referindo ao Estatuto de Roma de Justiça internacional.

O governo colombiano e as Farc alcançaram em dezembro um acordo sobre justiça transicional para punir os responsáveis pelos crimes de lesa humanidade durante o conflito armado que afeta a Colômbia há mais de meio século. “Não há impunidade, os responsáveis máximos passarão pelo sistema de justiça para serem julgados, condenados e penalizados.”

Santos reiterou sua confiança em alcançar um acordo na data prevista e uma maior velocidade nas conversações. Segundo ele, os negociadores do governo voltaram na terça-feira para Havana, sede nas negociações, com “novos procedimentos” para acelerar o processo, que teve início em 2012.

Na semana passada, dias antes da viagem a Washington, Santos afirmou, em uma entrevista à agência Associated Press, que pretendia pedir ao presidente Obama que retire o nome da guerrilha da lista de grupos terroristas. Segundo ele, essa medida seria importante para dar celeridade às negociações.

As declarações desta quarta-feira do presidente colombiano pareceram dar uma resposta direta à organização Human Rights Watch (HRW), que em um relatório de 63 páginas denunciou o acordo de justiça como uma “piñata de impunidade”.

“Alguns defensores dos direitos humanos dizem que isso não é suficiente, mas são precisamente essas situações nas quais se busca a quantidade máxima de justiça para permitir a paz”, declarou Santos, em inglês./ AFP 

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