REUTERS/Brendan McDermid
REUTERS/Brendan McDermid

Acordo com Irã perde apoio de 2º senador democrata

Robert Menendez diz que a entrada em vigor do pacto colocará a segurança nacional dos EUA sob risco e trabalhará contra ele

O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 20h12

SOUTH ORANGE, EUA - O senador Robert Menendez fez, nesta terça-feira, 18, uma dura crítica ao acordo nuclear internacional com o Irã, liderado pelos EUA, e tornou-se o segundo parlamentar do mesmo partido do presidente americano, Barack Obama, a anunciar que votaria para derrubar o pacto com Teerã no Congresso.

Em um discurso em seu Estado natal, New Jersey, Menendez desafiou Obama e muitos outros colegas democratas. “Vou votar para reprovar o acordo e, se for convocado, votarei para derrubar um veto (do presidente).”

O Senado e a Câmara dos Deputados têm de votar até o dia 17 uma “resolução de reprovação” apresentada pelos republicanos – que são maioria nas duas Casas – com o objetivo de acabar com o acordo. Obama está tentando reunir apoio suficiente entre os democratas para sustentar um veto à resolução. Os parlamentares contrários ao acordo precisarão de dois terços dos votos para derrubar um veto do presidente. 

Sob os termos do acordo entre o Irã, as cinco potências do Conselho de Segurança (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) mais a Alemanha, novas restrições seriam impostas sobre o programa nuclear iraniano em troca de um alívio nas sanções aplicadas há mais de uma década a Teerã. O Irã nega que tenha a intenção de produzir uma arma nuclear.

No início deste mês, o senador Chuck Schumer, de Nova York, o terceiro democrata mais destacado na Casa, disse que vai votar contra o acordo e trabalhará para convencer outros senadores a fazer o mesmo, em um sinal de profundas divisões dentro do partido. 

Já o senador Dick Durbin, o segundo no ranking democrata, apoia o pacto. O líder do partido, Harry Reid, anunciará sua decisão quando o Senado voltar do recesso, no dia 7. Acredita-se que, a partir de então, o debate parlamentar se intensificará.

Menendez argumentou que, se o acordo entrar em vigor, ele prejudicará a segurança nacional dos EUA, com o país abandonando sua antiga política de não proliferação. Para o senador, o que se verá em seguida será a adoção de uma política de “gerenciamento” da proliferação nuclear. 

Mas, apesar do discurso contrário ao acordo, não está claro como Menendez, um ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, influenciará outros democratas.

Uma fonte do governo Obama afirmou à Reuters, em condição de anonimato, que a Casa Branca já esperava esse comportamento do senador e isso não alterará os planos da presidência para a questão. 

Nos bastidores, aqueles que apoiam o acordo afirmam que enquanto eles precisam trabalhar para garantir votos suficientes para sustentar o veto de Obama no Senado, a situação parece mais confortável na Câmara. 

Em geral, republicanos argumentam que o acordo concede muito espaço ao Irã e ameaça a segurança de Israel, o maior aliado dos EUA no Oriente Médio. Em seu discurso na Seton Hall University, em South Orange, Menendez afirmou que apoiou as principais iniciativas do presidente internamente. Mas na política externa, tem discordado do presidente, como no caso do Irã e na retomada das relações com Cuba. / REUTERS 


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