'Acordo com Mercosul é fundamental', diz ministro da Economia palestino

Em entrevista, Hasan Abu Libdeh revela que missão do Itamaraty desembarca em Ramallah em outubro

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2011 | 11h30

GENEBRA - Com a meta de diversificar seus parceiros e reduzir sua dependência de Israel, a Autoridade Palestina busca fechar um acordo comercial com o Mercosul já em 2012. Em entrevista exclusiva ao Estado, o ministro de Economia da Autoridade Palestina (AP), Hasan Abu Libdeh, revela que uma missão do Itamaraty desembarca em Ramallah no próximo mês para tentar acelerar o processo. A seguir, os principais trechos da entrevista.
 
Os palestinos pediram o reconhecimento de sua soberania na ONU. Mas um Estado palestino é economicamente viável ?
 
Hasan Abu Libdeh - A economia palestina não é explorada adequadamente. Se as barreiras que existem para o funcionamento da economia forem retiradas e a ocupação acabar, estou certo de que cresceremos a taxas de mais de 10%. 

 
Israel ameaçou não repassar para a AP os impostos recolhidos e impedir transações bancárias se o Estado palestino for declarado. Qual deve ser o impacto disso?
 
Hasan Abu Libdeh - Não nos surpreende a atitude de Israel. Vivemos em um regime de punição por parte dos israelenses há anos. O que eu posso dizer é que a ameaça em si é irrelevante. Mas o que nos surpreende é que a comunidade internacional não reaja diante de tal declaração. Israel não quer que as instituições democráticas palestinas funcionem e o objetivo claro é de nos estrangular economicamente. Mas cabe à comunidade internacional impedir que isso ocorra. 

 
Oitenta porcento dos produtos consumidos pelos palestinos vêm hoje de Israel. Há alguma estratégia para reduzir essa dependência?
 
Hasan Abu Libdeh - Sim, e ela envolve diretamente o Brasil. Queremos fechar em 2012 um acordo comercial com o Mercosul, que será fundamental para permitir um fluxo maior de bens para o mercado local. Seria o primeiro acordo com um bloco de países de fora do Oriente Médio e para nós é fundamental. 

 
Como isso ocorreria?
 
Hasan Abu Libdeh - Seria um acordo amplo, que envolveria cooperação em várias áreas. Temos muito interesse em aprender com o Brasil o que vem sendo feito para ajudar as pequenas e médias empresas. Além disso, queremos trazer para nossa sociedade estratégias de redução da pobreza que foram adotadas no Brasil. Uma rodada de negociações está marcada para outubro. O Mercosul enviará uma comitiva a Ramallah. Esse acordo é fundamental para ajudar a garantir nossa viabilidade econômica. 

 
Como a AP avaliou a posição da presidente Dilma Rousseff de apoiar seu pedido na ONU?
 
Hasan Abu Libdeh - Na AP, já consideramos o Brasil como uma espécie de irmão mais velho, que nos cuida e faz parte de nossa história política recente. O apoio político brasileiro é fundamental no cenário internacional.

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