JF Diório/Estadão
JF Diório/Estadão

Acordo com Odebrecht só será possível se empresa detalhar propinas, diz procurador-geral do Equador

Em postagens no Twitter, Galo Chiriboga reafirmou que MP equatoriano quer indenização integral pelo esquema de corrupção

Mateus Fagundes, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2017 | 02h16

SÃO PAULO - O Ministério Público do Equador e a construtora Odebrecht somente chegarão a um acordo se a empreiteira brasileira entregar todas as informações de pagamento de propinas e pessoas envolvidas em esquemas de corrupção, afirmou neste sábado, 26, o procurador-geral equatoriano, Galo Chiriboga.

Em uma série de postagens no Twitter, Chiriboga disse que retornou de viagem a Washington, onde fez reuniões com representantes e advogados da Odebrecht, que buscam acordo judicial.

"O acordo somente será possível se a construtora detalhar contratos, esquema de propinas, montantes entregues e como se moveu o dinheiro", escreveu o chefe do MP equatoriano. "Pedimos que a Odebrecht entregue toda a informação."

Segundo Chiriboga, a Odebrecht pretendia chegar a um acordo sem detalhar o esquema e tentou negociar o não pagamento de multas, o que foi refutado pela equipe do país sul-americano. "No Caso Odebrecht também buscamos um acordo de reparação integral de indenização ao Estado equatoriano por danos causados pela Odebrecht", disse.

Em dezembro, à Justiça americana, a Odebrecht admitiu ter pago US$ 33,5 milhões em propinas entre 2007 e 2016. Os valores teriam sido destinados a funcionários públicos e políticos do país.

As declarações de Chiriboga ocorrem uma semana depois de o presidente do país, Rafael Correa, dizer que a Odebrecht pede cláusulas "impossíveis" para revelar o esquema no país.

A revelação do esquema no país aqueceu a disputa presidencial. A esquerda do país, representada por Lenín Moreno no pleito, corre o risco de perder o poder e vê as críticas aumentarem, uma vez que o governo não liberou o sigilo da lista de supostos beneficiários de propinas da Odebrecht. A direita, do ex-banqueiro Guillermo Lasso, vê no desgaste do modelo de governo a chance de voltar à Presidência, após 10 anos do governo Correa, mas esbarra em ligações de membros da campanha com a construtora. O segundo turno ocorre em 2 de abril.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.