Acordo com ultradireita pressiona Livni

Pacto com Bibi tornaria o direitista Lieberman novo chanceler de Israel

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2009 | 00h00

As chances de o ultradireitista Avigdor Lieberman tornar-se o próximo chanceler israelense aumentam "significativamente" com o acordo entre seu partido, o Israel Beiteinu, e o provável futuro primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, para formar uma coalizão no Parlamento. A informação foi dada ontem por Dina Libster, porta-voz do direitista Likud, partido liderado por Bibi.Controvertido dentro e fora de Israel, Lieberman foi acusado de racismo após ter proposto que árabes-israelenses fossem submetidos a um juramento de fidelidade ao Estado. Caso se recusassem a fazê-lo, perderiam a cidadania de Israel.Analistas, porém, duvidam que o ultradireitista chegue a assumir o Ministério das Relações Exteriores, uma vez que sua oficialização como chanceler isolaria Israel da comunidade internacional. O anúncio seria, assim, uma forma de aumentar a pressão sobre a líder do centrista Kadima e atual chanceler, Tzipi Livni, para aderir à coalizão que Bibi tenta formar.A porta-voz do Likud disse que Netanyahu deseja ter uma ampla base na Knesset (Parlamento), com partidos de centro - um claro sinal de abertura ao Kadima, legenda mais votada nas eleições de 10 de fevereiro. Um eventual acordo manteria Livni em seu atual posto. Mas a líder do Kadima garantiu que não servirá num governo que se recuse a negociar a paz e não legitimará um gabinete de "falcões" - referência a Lieberman. "Não darei forças a um governo cujas posições não sejam as nossas", prometeu a partidários.Livni confirmou ter negociado com Bibi, mas disse que as conversas não tiveram resultados. "Nas últimas semanas houve discussões (com Netanyahu). Mas as coisas não mudaram." Sob o argumento de ter angariado o maior número de votos, Livni defende um sistema de rotação da cadeira do premiê entre seu partido e o Likud. Bibi foi indicado para formar um novo governo por ser o mais votado da direita, maioria na Knesset.O Israel Beiteinu foi o primeiro partido a fechar um acordo com Bibi, que deverá contar também com legendas ultraortodoxas.Em um apelo para que Israel não renuncie às negociações com os palestinos, o chefe de Assuntos Exteriores da União Europeia, Javier Solana, garantiu que "a relação entre o bloco e um governo israelense que não esteja comprometido com a solução de dois Estados será muito, muito diferente".

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