Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

Acordo da Odebrecht com promotores no Peru complica Keiko Fujimori

Segundo procurador responsável pela investigação de pagamentos de propinas de empreiteiras para políticos peruanos, a empresa promete revelar a rota do dinheiro destinado à senadora líder da oposição

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2018 | 21h42

LIMA - A líder da oposição no PeruKeiko Fujimori, atualmente presa, pode ser uma das prejudicadas pelo acordo de cooperação assinado entre a construtora Odebrecht e a promotoria peruana no âmbito de uma investigação sobre as contribuições para campanhas políticas, disse um procurador nesta segunda-feira, 10.

Por meio desse acordo de colaboração (delação premiada), anunciado no domingo e criticado por alguns políticos, a Odebrecht se comprometeu a fornecer provas para corroborar os depoimentos de seus executivos que deram contribuições ilegais à campanha eleitoral de Keiko Fujimori e quatro presidentes peruanos.

"A informação que a empresa deu, também dentro do acordo, é a informação da rota do dinheiro no caso da Sra. Fujimori", disse o procurador Rafael Vela, coordenador da equipe que investiga o caso da Odebrecht, ao jornal El Comercio.

O procurador enfatizou que o questionamento do acordo vem "principalmente de pessoas cuja posição é investigada, (quem) vai ser prejudicada pelo tratamento da informação". Bartra, do partido que lidera Keiko Fujimori, criticou o acordo e o montante que a Odebrecht pagará como reparação civil ao Peru.

Segundo o portal de jornalismo investigativo IDL-Reporteros, a Odebrecht pagará 182 milhões de dólares como reparação, mas em parcelas em um prazo de 15 anos. A primogênita do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) está em prisão preventiva há 40 dias enquanto é investigada por supostos aportes da Odebrecht à sua campanha em 2011. Ela nega.

O procurador Vela disse que a "colaboração eficaz" significa "um reconhecimento de culpabilidade", embora o Peru não vá processar os executivos da construtora.   Os procuradores peruanos viajarão em janeiro ao Brasil para interrogar novamente Jorge Barata, ex-diretor da Odebrecht no Peru.

A Odebrecht informou em um comunicado no domingo que "o acordo é o marco mais importante de um amplo e profundo processo de colaboração com as autoridades do Peru".

O acordo fornecerá provas importantes para as acusações contra importantes políticos peruanos, incluindo o ex-presidente Alan García, bem como a líder da oposição Keiko Fujimori. Também espera-se obter mais informações sobre as acusações contra os ex-presidentes Alejandro ToledoOllanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski. A Odebrecht admitiu em 2016 nos Estados Unidos, que pagou subornos no Peru por 29 milhões de dólares entre 2005 e 2014.

Reconhecimento da Propina

Sob os termos do acordo, a Odebrecht reconhece que pagou propina para a obtenção de seis contratos. Dois deles são referentes à construção de uma estrada que uniu o Brasil ao Peru durante o governo do presidente Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006, afirmaram à agência Reuters duas das fontes com conhecimento do acordo.

Outros dois contratos correspondem à construção do metrô de Lima, que foi executa durante o segundo governo do presidente Alan García, entre 2006 e 2011.

As fontes também disseram que estão sob investigação os contratos para ampliar o corredor Costa Verde-Callao na costa de Lima, e a construção de uma estrada de acesso rápido para a cidade de Cusco. Uma quinta obra em que a Odebrecht admitiu ter pago suborno é o projeto “Chacas”, na região andina de Ancash.

Como em outros países da América Latina, o caso da Odebrecht provocou uma profunda crise no Peru que atingiu toda a elite política. O MP do Peru investiga todos os presidentes que governaram o país desde 2001 por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. 

A Odebrecht começou a operar no Peru há quatro décadas e foi fortemente afetada pelos casos de corrupção no país. Atualmente, a companhia conta com 2.000 funcionários na nação, contra 20 mil em seu auge./ AP, EFE e REUTERS

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