Acordo de bases militares é novo teste para líder colombiano

Depois de enfrentar atentado a bomba e desastre aéreo, Santos vê Justiça questionar [br]pacto-chave com os EUA

REUTERS e AP, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

BOGOTÁ

A suspensão do acordo militar entre Bogotá e Washington pela Corte Constitucional da Colômbia deve representar um novo teste para o presidente Juan Manuel Santos, que, há menos de duas semanas no poder, já foi surpreendido por um atentado a bomba em Bogotá, a queda de um avião, que foi atingido por um raio e vive a ameaça de perder um elo importante com seu principal aliado militar.

Ontem, o ministro do Interior e da Justiça da Colômbia, Germán Vargas Lleras, disse que o Executivo "deverá tomar uma decisão muito em breve" sobre se submete ou não o documento ao Congresso.

O retrocesso na cooperação com Washington ocorreu na terça-feira, quando a Corte Constitucional da Colômbia suspendeu a vigência do acordo militar que dá aos EUA o direito de usar até sete bases colombianas.

Por seis votos a favor e três contra, a Justiça acolheu argumento de uma ONG, que alega que, na prática, o documento representa um novo tratado internacional entre os dois países e não uma simples renovação de um acordo anterior, já vigente.

O presidente colombiano considerou ontem que o acordo de defesa, invalidado pela Justiça, não afeta a ajuda dos EUA à Colômbia. "O importante é que a cooperação continuará. A luta contra o narcotráfico e o terrorismo não tem trégua", disse.

Do lado americano, a notícia foi recebida com cautela. O porta-voz do Departamento de Estado para a América Latina, Charles Luoma-Overstreet, limitou-se a dizer que os EUA "ainda esperam escutar do governo Santos seus planos sobre como proceder". Até lá, "a estreita cooperação com a Colômbia continuará sob os acordos preexistentes".

No ano passado, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, "congelou" as relações com a Colômbia alegando que o acordo era uma ameaça à segurança regional. Mas, na semana passada, ele retomou as relações com a Colômbia e considerou o acordo com Washington um assunto doméstico de Santos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.