EFE / EPA / MICHAEL KLIMENTYEV / SPUTNIK / KREMLIN POOL MANDATORY CREDIT
EFE / EPA / MICHAEL KLIMENTYEV / SPUTNIK / KREMLIN POOL MANDATORY CREDIT

Acordo de cessar-fogo russo entra em vigor em Idlib

O acordo foi selado em Moscou pelos presidentes da Rússia, Vladimir Putin e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 01h44

O acordo de cessar-fogo selado pela Rússia e pela Turquia para a província síria de Idlib entrou em vigor nesta sexta-feira, 6, numa tentativa de acabar com os intensos combates que causaram um desastre humanitário e despertaram o medo de uma guerra aberta.

Poucos minutos antes do prazo acordado, os atentados ainda estavam na região, de acordo com a entidade não governamental Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), embora após o tempo acordado houvesse uma "calma relativa" na área.

O acordo foi selado em Moscou pelos presidentes da Rússia, Vladimir Putin e Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que anunciaram nessa quinta-feira, 5, um cessar-fogo para encerrar semanas de combates em Idlib e evitar o risco de aumento da tensão entre russos e turcos.

Por sua parte, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, "espera que este acordo leve a uma cessação imediata e duradoura das hostilidades que garantam a proteção de civis no noroeste da Síria, que já sofreram enormes sofrimentos" , disse seu porta-voz em comunicado.

Após mais de seis horas de negociações no Kremlin, sede da presidência russa, o presidente turco anunciou em uma entrevista coletiva com Putin este cessar-fogo, esperando que fosse "durável".

De acordo com o texto do acordo consultado pela AFP, os dois países realizarão patrulhas conjuntas na rodovia M4, um centro estratégico que atravessa a região síria de Idlib.

A Rússia e a Turquia planejaram um "corredor de segurança" de seis quilômetros em cada lado da rodovia (12 km). Os parâmetros dessa área serão definidos pelos dois países nos próximos sete dias, conforme o texto.

Este acordo deve terminar semanas de intensos combates contra Idlib, a última fortaleza rebelde e jihadista no noroeste da Síria, onde a Turquia intervém contra as forças do governo Bashar al-Assad, apoiado pela Rússia.

Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião nesta sexta-feira, a pedido da Rússia.

Segundo uma fonte diplomática, a Rússia solicitou que essa reunião fosse realizada a portas fechadas, para informar os membros do Conselho sobre o acordo alcançado com a Turquia.

Segundo o Ministério da Defesa turco, nos últimos combates antes do início da trégua, dois soldados turcos morreram em um bombardeio na Síria.

Mais tarde, o mesmo ministério assegurou que os drones turcos haviam "neutralizado" 21 soldados sírios.

Esses combates causaram uma catástrofe humanitária, com cerca de um milhão de pessoas deslocadas em direção à fronteira com a Turquia e dezenas de soldados turcos mortos.

"Nosso objetivo é impedir que a crise humanitária se agrave", disse Erdogan, embora tenha alertado que seu país "se reserva o direito de responder com todo o seu poder e em qualquer lugar a qualquer ataque do regime sírio".

Putin, por outro lado, disse esperar que este texto sirva como "uma base sólida para acabar com os combates na região" e "o sofrimento da população". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.