Acordo de paz em Darfur não impede a violência

Um dia após a assinatura de um acordo para tentar colocar fim à violência em Darfur, nove policiais sudaneses morreram neste sábado em um ataque cometido por um grupo de rebeldes, informou o governador do sul desta região, Ata Al Emanam. Ele disse que o exército sudanês procura os rebeldes, e mostrou seu pesar pelo fato ter ocorrido um dia após a assinatura do acordo de paz com o principal grupo rebelde, o Movimento para a Libertação do Sudão (SLM, em inglês).O movimento rebelde mais importante de Darfur assinou o acordo de paz com o governo do Sudão para não perder o apoio internacional, disse neste sábado Saifaldin Haroun, porta-voz da facção. "Se nos negarmos a assinar o acordo, perderemos o apoio da comunidade internacional. Somos o principal movimento neste conflito. Sofremos muito e acho que é o momento de fazer algo para terminar com a tragédia de Darfur", explicou Haroun.A facção do SLM liderada por Minni Minnawi foi a única que assinou o acordo com o governo sudanês, uma ação que encerra as conversas de paz que duraram dois anos na capital nigeriana, Abuja, sob mediação da União Africana (UA).Minnawi assegurou que o movimento tomará as rédeas no processo para restaurar a paz em toda a região. "Acordamos a paz anteriormente no papel, mas não a colocamos em prática. O que chamamos de paz agora deveria ser desfrutado pelo povo de Darfur e por todo o Sudão", disse o líder rebelde, que pediu à comunidade internacional que apóie a decisão.Uma parte do SLM, facção liderada por Abdulwaheed Al-Nour, assim como o Movimento para a Justiça e a Igualdade, o outro grupo rebelde, se negaram a assinar o documento, um tratado de 85 páginas em que o governo se compromete a estabelecer um cessar-fogo e os rebeldes, a se integrar a um exército unificado.Como anfitrião dos diálogos de paz, o presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, qualificou a assinatura como um "momento determinante da história de Darfur e um triunfo para a África". Apesar dos ânimos, o presidente advertiu que, a menos que "haja um espírito apropriado, a atitude e a disposição correta, o documento não valerá, nem o papel em que está escrito".O secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, demonstrou a confiança em que o acordo de paz ponha fim à violência. Em comunicado, ele pediu à comunidade internacional que ofereça o apoio para iniciar o acordo e para o desenvolvimento econômico da região.HistóricoA guerra de Darfur explodiu em fevereiro de 2003, quando os grupos rebeldes da região do oeste do Sudão pegaram em armas para protestar contra a pobreza e a marginalização da região, na fronteira com o Chade.Desde então, cerca de 200 mil pessoas morreram e dois milhões de sudaneses foram forçados a abandonar seus lares e se alojar em campos de refugiados no Sudão e no Chade, o que desatou o pior desastre humanitário deste século.

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