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Acordo de segurança com EUA ficará para 2014, diz presidente afegão

Karzai deve deixar o cargo após as eleições presidenciais, marcadas para 5 de abril

O Estado de S. Paulo,

21 de novembro de 2013 | 10h02

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, declarou nesta quinta-feira, 21, que um acordo bilateral de segurança com os Estados Unidos só será assinado por seu sucessor. "O acordo deve ser assinado quando a eleição for realizada, de forma adequada e com dignidade", disse Karzai na abertura da sessão da assembleia da Loya Jirga, o conselho consultivo de anciãos que se reuniu para analisar o acordo.

Karzai deve deixar o cargo após as eleições presidenciais, marcadas para 5 de abril. Mas muitos políticos afegãos acreditam que a votação deve ser adiada.

Autoridades norte-americanas, porém, querem que o acordo seja fechado, no mais tardar, ainda neste mês. O inesperado anúncio do adiamento feito por Karzai pode atrapalhar os planos do Exército dos Estados Unidos de manter uma limitada força de treinamento e contraterrorismo no Afeganistão, após o fim do atual mandato da coalizão, que termina em dezembro de 2014.

Karzai disse que se a Loya Jirga e o Parlamento do país aprovarem o acordo de segurança, a assinatura final dependerá do resultado das eleições. Fazendo referência ao que anteriormente descreveu como interferência do Ocidente na eleição de 2009, Karzai disse que "tivemos nossas experiências na eleição passada e eu não vou repeti-las".

Ele não disse aos 2,5 mil delegados da Loya Jirga que deveriam votar a favor do acordo com os Estados Unidos, pedindo apenas que eles façam o que for "do melhor interesse do Afeganistão". Karzai, porém, mostrou orgulhosamente aos delegados a carta que disse ter recebido na manhã de quinta-feira do presidente Barack Obama.

O presidente afegão disse que a carta promete que tropas norte-americanas não entrarão em residências afegãs, exceto em circunstâncias extraordinárias, e reconhece o "sofrimento" afegão durante a guerra.

Não havia uma versão em inglês disponível da carta. A embaixada dos Estados Unidos em Cabul recusou-se a comentar o assunto e transferiu as perguntas para a Casa Branca.

Na terça-feira, quando as negociações sobre o acordo de segurança quase ruíram, Karzai pediu uma carta a Obama na qual admitisse os "erros" norte-americanos no período da guerra durante conversa por telefone com o secretário de Estado John Kerry, afirmaram funcionários afegãos. Kerry disse que nenhum pedido de "desculpas" seria feito em comunicados futuros. / AP

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