Acordo de veto a minas terrestres é um sucesso, dizem ativistas

A proibição adotada de 1997 emrelação às minas terrestres funcionou melhor do que seesperava, mas vários países ainda precisam cumprir suasobrigações de limpar áreas nas quais há esse tipo de armamentoe dar assistência às vítimas, disseram ativistas naterça-feira, 10o aniversário do tratado. A convenção que proibiu o uso das minas terrestresantipessoais foi negociada na capital da Noruega, Oslo, emsetembro de 1997 e assinada por 122 países em Ottawa, noCanadá, em dezembro daquele ano, tendo entrado em vigor em1999. Até agora, 155 países assinaram o documento que, segundoativistas, levou mesmo governos que não aderiram a ele aabster-se de usar esse tipo de arma. "Mudamos o mundo", afirmou Jody Wiiliam, que venceu oPrêmio Nobel de Paz de 1997 junto com o grupo CampanhaInternacional para Banir as Minas Terrestres. A declaração foidada à Reuters em um simpósio realizado para celebrar oaniversário do tratado. Steve Goose, diretor da divisão de armas do grupo HumanRights Watch e que esteve envolvido no processo desde seuinício, disse: "Os sucessos da década passada superaram mesmoas previsões mais otimistas dos maiores entusiastas dotratado", disse. "Mesmo países que não assinaram o documento estãoobedecendo às normas básicas dele", disse Goose à Reuters. "Noano passado, segundo sabemos, apenas dois governos utilizaramminas antipessoais, a Rússia e, em grande quantidade, Mianmar." E países continuam a aderir ao tratado. Neste ano, aIndonésia, o Kuweit e o Iraque assinaram-no. Apesar disso,grandes produtores desse tipo de armamento, como os EUA, aRússia e a China, continuam recusando-se a aderir, observouGoose. "Há um grande estigma a respeito dessa arma, que quase nãoé mais vendida, com exceção de um nível muito baixo de comércioilegal", disse o membro do Human Rights Watch. "Ninguém maisconfessa que exporta minas terrestres." Os países que aderiram ao pacto destruíram 4 milhões deminas armazenadas, e o número de vítimas confirmadas desse tipode arma (entre mortos e feridos) caiu de 26 mil por ano, umadécada atrás, para algo entre 5.000 e 7.000, disse Goose. "Há muitos desafios a serem vencidos ainda. E os doismaiores são retirar as minas já plantadas e ajudar as vítimas",afirmou. O tratado das minas terrestres vem sendo usado como modelopara um novo "processo Oslo" que tenta banir internacionalmenteaté 2008 as bombas de fragmentação, um outro tipo de armamentoque, segundo ativistas, mata e fere dezenas de milhares decivis, indiscriminadamente. O número de países comprometidos com esse tipo de proibiçãoaumentou dos 46 que aderiram à declaração de Oslo em fevereiropara 80 agora. "Estamos muito confiantes a respeito dapossibilidade de termos um novo tratado banindo as bombas defragmentação até 2008", disse Goose.

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