AFP PHOTO / Glyn KIRK
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Acordo do Brexit pode ser concluído até quinta, diz ministro-chefe do gabinete de May

Reino Unido quer concluir negociações nas próximas semanas para que o Parlamento britânico tenha tempo de votar o projeto, que encontra resistência na oposição; diplomatas da União Europeia, no entanto, dizem não ter esperanças de resultados nesta semana

O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2018 | 10h16

LONDRES - David Lidington, ministro-chefe do Gabinete da primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou nesta terça-feira, 13, que o acordo do Brexit, que oficializa a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), pode ser concluído até quinta-feira. Ele também acrescentou que a Grã-Bretanha e a UE estão “a uma distância palpável” de definir a negociação, após mais uma noite de negociações em Bruxelas.

“Nós ainda não estamos lá”, disse Lidington à rádio da BBC. “Estamos a uma distância palpável (do acordo) agora. A primeira-ministra disse que o acordo não pode ser a qualquer preço”. Ele também afirmou que “é possível, mas não é definitivo” que os dois lados concluam a negociação até quinta-feira.

O Reino Unido quer concluir a negociação em breve para que o Parlamento britânico tenha tempo hábil de votar o projeto, mesmo após resistência de partidos da oposição e da própria base de May contra um acordo que, segundo os críticos, estaria traindo o Brexit por subjugá-lo aos interesses de Bruxelas. Conforme prazo determinado anteriormente, a saída deve acontecer em 29 de março de 2019, com a aprovação do Parlamento Europeu.

A União Europeia anunciou que quer um rascunho do plano do Brexit até esta quarta-feira, 14. Alguns diplomatas do bloco, no entanto, dizem não ter esperanças de resultados nesta semana. Enquanto isso, negociadores têm se reunido até tarde da noite em Bruxelas para impedir quaisquer brechas no acordo para que os dois lados não prejudiquem um comércio que já dura 46 anos. 

O gabinete da primeira-ministra britânica se reúne nesta terça-feira para uma atualização do plano do Brexit.

Temporário e indefinido

O principal entrave que impede a definição de um acordo é o chamado “backstop” da Irlanda do Norte, uma política de segurança econômica para evitar o retorno dos controles aduaneiros na fronteira entre a Irlanda do Norte, integrante do Reino Unido, e a Irlanda, membro da UE, caso um tratado comercial não seja feito a tempo.

“A primeira-ministra disse diversas vezes que, se o backstop for usado, e nós não queremos que o seja, será certamente algo temporário e indefinido”, disse Lidington, que votou em 2016 para o Reino Unido permanecer na União Europeia. Mas o acordo dificilmente mudará a crescente oposição contra May.

Ao tentar sair da UE e ao mesmo tempo preservar os maiores laços possíveis, o compromisso da primeira-ministra decepcionou britânicos a favor do Brexit, pró-europeus, nacionalistas escoceses, o partido da Irlanda do Norte que apoia seu governo e alguns dos seus próprios ministros.

Lidington se negou a comentar se o acordo deverá deixar o Reino Unido mais rico ou mais pobre, dizendo que as pessoas decidiram deixar a UE. Perguntado se os britânicos deveriam se preparar para uma saída sem acordo, ele afirmou: “Eu não vou atribuir dias a ações particulares.”

“Quarta-feira é importante, mas o que nós temos construído no governo em dois anos desde o referendo é levar adiante o plano de contingência contra todas as eventualidades”, disse. “Nós dois esperamos que o acordo seja negociado (com sucesso).” / AP e REUTERS

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