Acordo eleitoral divide a oposição venezuelana

O acordo eleitoral obtido pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, provocou fortes divergências entre alguns setores da oposição venezuelanos, menos de 24 horas depois da assinatura do termo. A maior federação empresarial e os partidos Ação Democrática e Projeto Venezuela, as principais organizações opositoras do país, reconheceram nesta quarta-feira que têm sérias discordâncias a respeito do texto do acordo, que prevê um referendo sobre a revogação do mandato do presidente Hugo Chávez. Carlos Fernández, presidente da maior federação de empresas da Venezuela, a Fedecámaras, qualificou de "um plano macabro de Hugo Chávez para dissolver os grupos opositores" o pacto que deve ser assinado amanhã entre representantes do governo e da oposição. "Esse acordo tem como objetivo truncar o caminho até o referendo revogatório", disse Fernández, em Miami, ao jornal de Caracas El Universal. Fernández, um dos líderes do locaute de quase dois meses iniciado em dezembro, que causou bilhões de dólares em prejuízos ao país, está sendo processado na Venezuela por "rebelião, incitação ao crime, vandalismo e traição à Pátria". "O cérebro desse plano macabro está em Havana, e não em Caracas", acrescentou o empresário.Por sua vez, o presidente do partido opositor Ação Democrática (AD), Jesús Méndez, afirmou que o documento a ser firmado representa um "risco" para o país por deixar em mãos do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a decisão definitiva sobre uma saída eleitoral para a crise venezuelana. Pelos termos do pacto, os opositores de Chávez poderão convocar, a partir de agosto, o referendo para revogar o mandato do presidente. Para isso, terão de reunir mais de 2 milhões de assinaturas de eleitores e apresentar o pedido à Junta Nacional de Eleições.

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