ABED AL HASHLAMOUN / EFE
ABED AL HASHLAMOUN / EFE

Acordo entre Israel e palestinos por vacina está ameaçado após envio de lote perto de vencer

Autoridades israelenses tentam retomar entrega de doses aos palestinos depois do cancelamento repentino de tratativa

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2021 | 21h21

TEL-AVIV - Autoridades israelenses tentam retomar as negociações para entregar doses de vacinas à Autoridade Palestina (AP) depois que um acordo foi repentinamente cancelado na sexta-feira por lideranças palestinas porque as doses estavam “muito próximas de sua data de validade e não atendiam aos padrões”.

Cerca de 5 milhões de palestinos na Cisjordânia e Gaza ainda estão sem suprimentos de vacinas suficientes, já que as remessas de outras fontes continuam atrasadas, enquanto Israel está com 56,9% da população vacinada.

O anúncio e o cancelamento do acordo deram origem a teorias da conspiração e prejudicaram ainda mais a situação da AP entre seu povo. Na sexta-feira, as autoridades israelenses celebraram a finalização da tratativa tripla entre os dois governos e a Pfizer, na qual Israel enviaria mais de 1 milhão de doses de sua vacina para a AP em troca de um número semelhante de doses a serem entregues de volta para Israel ainda neste ano.

Autoridades israelenses disseram que a ação marcou o início de um capítulo de reengajamento entre Israel e os palestinos. Horas depois, porém, o primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, cancelou o acordo, dizendo que as primeiras 100 mil doses da Pfizer expirariam no final do mês, que era cedo demais.

O ministro palestino da Saúde, Mai al-Kaila, disse que as autoridades de saúde que inspecionaram as vacinas descobriram que elas “não atendiam aos padrões e então decidimos devolvê-las”. O Ministério da Saúde israelense disse que não aceitaria a devolução das doses. Se não fossem usados pela Autoridade Palestina, disseram as autoridades, seriam jogadas fora.

A troca da vacina estava em andamento há vários meses sob o comando do ex-premiê Binyamin Netanyahu. Ficou claro para todas as partes que as primeiras doses enviadas seriam as mais perto do vencimento, como também é o protocolo em Israel, usar primeiro as doses perto da validade, segundo autoridades israelenses.

Depois que o acordo foi cancelado na sexta-feira, rumores circularam nas redes sociais de que Israel, em conluio com a AP, estava tentando “envenenar” os palestinos com doses expiradas. Ativistas estão pedindo uma investigação independente sobre o acordo.

“Podemos comprar vacinas nós mesmos e não precisamos de Israel”, disse um funcionário do Fatah. “Israel nos negou vacinas por muito tempo, mesmo quando eles tinham milhões extras”, disse Mustafa Barghouti, um médico palestino e ativista da oposição. “Agora que eles estão perto de expirar, eles fecharam este negócio e queriam trocar as doses velhas por novas.”

Desde o início da inoculação em dezembro, Israel, que comprou milhões de doses a preços acima do mercado e assinou um acordo de compartilhamento de dados com a Pfizer, se estabeleceu como líder global em vacinas. Ramallah recebeu remessas da Covax – o programa de vacinação global vinculado à Organização Mundial da Saúde – e da Rússia, China e Emirados Árabes Unidos, bem como milhares de doses doadas por Israel, embora com atraso. / W.POST

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