Acordo final está próximo, dizem diplomatas

Entendimento entre Irã e grupo de negociadores incluiria moratória de 1 ano na importação de material atômico

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

05 Março 2015 | 02h01

O acordo final sobre o programa nuclear iraniano começa a ganhar forma e, segundo diplomatas envolvidos na negociação, o pacote deverá incluir uma moratória de um ano em que Teerã ficará proibido de adquirir combustível nuclear.

Ontem, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, concluiu três dias de negociações com o chanceler iraniano, Mohamed Jawad Zarif, e representantes das demais cinco potências que fazem parte do processo diplomático - Grã-Bretanha, Alemanha, França, Rússia e China.

Reunidos em Montreux, os chanceleres decidiram retomar as conversas a partir do dia 15 para tentar um acordo até o fim do mês. Kerry, porém, disse que ainda há "importantes diferenças" entre as partes e "escolhas fundamentais terão de ser feitas". Uma delas seria a moratória. Se ela for aceita por Teerã, negociadores dizem que o acordo poderia ser fechado "em questão de semanas".

Os iranianos derrubaram propostas similares no passado e, para aceitar a de agora, terão também de reduzir o número de centrífugas, hoje em cerca de 10 mil. Ontem, o presidente iraniano, Hassan Rohani, disse que seu país está disposto a fechar um acordo que permita um maior monitoramento internacional de suas instalações. "Se a base dessas negociações indicar maior transparência, estamos dispostos a aceitar", afirmou.

Apesar de nada estar garantido, uma mudança no tom dos iranianos deu esperança de que um acordo está próximo. Outro ponto que fez a Casa Branca ficar otimista foi a sinalização de Teerã de que aceitaria enviar para fora do país seus estoques de urânio enriquecido.

Ontem, apesar do otimismo, Kerry não garantiu que o acordo será fechado antes do fim deste mês. Seus assessores, porém, admitiram que, se houver entendimento sobre o prazo da moratória, isso daria mais força aos EUA para convencerem aliados na região, entre eles, Israel. No fim do dia, Kerry viajou para a Arábia Saudita para discutir o possível acordo.

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