Ronald Zak/AP
Ronald Zak/AP

Acordo impossibilita Irã de construir bomba por pelo menos 25 anos

Exigências ao Irã são bastante específicas, mas potências se comprometem a retirar as sanções econômicas à medida que o país cumpra os acordos

Jamil Chade, Correspodente / Genebra, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2015 | 09h48

GENEBRA - O acordo nuclear entre Irã e as potências mundiais do P5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, mais a Alemanha) impossibilita que Teerã tenha um bomba atômica em pelo menos uma geração. O país terá o direito de enriquecer urânio a apenas 3,67% por quinze anos e apenas na usina de Natanz. Ainda assim, tudo será monitorado pelas agências da ONU.

Cerca de 5 mil centrífugas poderão funcionar por dez anos em Natanz e, progressivamente, o Irã poderá aumentar sua produção. Até lá, porém, os aparelhos em excesso serão estocados e selados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Qualquer volume acima de 3,67% terá de ser diluído ou enviado para fora do país.

Durante quinze anos, o Irã também não poderá estocar mais de 300 quilos de urânio enriquecido.

Um dos pontos principais do acordo se refere à usina de Fordow, que será transformada em um centro de tecnologia nuclear e de física. Nenhum enriquecimento será autorizado neste local, apesar de a usina mater mil centrífugas - cerca de 350 delas serão usadas para a produção de isótopos, em cooperação com Moscou.

Os mesmos controles serão implementados na usina de Arak e o Irã não poderá construir nenhum novo reator durante quinze anos. 

Pelo acordo, o Irã ratificará tratados internacionais que permitirão que os inspetores da AIEA tenham acesso a instalações militares, algo que Teerã rejeitava - essas vistorias, porém, não serão automaticamente autorizadas. A AIEA também terá acesso a todas as instalações do país e verificará a produção por 25 anos.  

Sanções. Se por um lado as exigências ao Irã são bastante específicas, por outro as potências se comprometem a retirar as sanções econômicas à medida que o país cumpra os acordos.

Os embargos impostos de forma unilateral pela União Europeia e pelos Estados Unidos aos setores de finanças, energia e transporte do Irã serão retirados de acordo se os relatórios da AIEA indicarem que o plano está sendo seguido por Teerã. Já as sanções da ONU serão "progressivamente retiradas" e "condicionadas ao respeito" das obrigações nucleares do Irã.

Os embargos sobre armas convencionais serão mantidos por um período de cinco a oito anos "para garantir a estabilidade regional", mas o tratado também prevê que, em caso de violação do entendimento, as sanções seriam restabelecidas contra o país em dois meses.

Tudo o que sabemos sobre:
Acordo nuclearIrãEUAP5+1

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.