Mohamed Messara/Efe
Mohamed Messara/Efe

Acordo leva Otan a liderar ação na Líbia

Para Sarkozy, coalizão formada em Paris deve manter o controle político da missão

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, declarou ontem que a coordenação da intervenção militar na Líbia deve "continuar sendo principalmente política", apesar de "ser apoiada no maquinário da Otan". Ele fez a afirmação pouco depois de a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciar que assumirá a partir de segunda ou terça-feira o comando militar da vigilância da zona de exclusão aérea na Líbia.

Sarkozy insistiu que não se pode marginalizar países árabes que, como o Catar e os Emirados Árabes Unidos, decidiram apoiar a intervenção internacional que, segundo ele, "evitou um massacre na cidade líbia de Benghazi.

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, saudou ontem a decisão da Otan de assumir o controle da zona de exclusão aérea e considerou que a aliança está "bem dotada" para coordenar a operação. Ela também elogiou o "decisivo" apoio árabe às ações militares na Líbia.

 

 

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Depois de pelo menos seis dias de discussões, embaixadores dos 28 países-membros da Otan firmaram um acordo de princípios, ontem, em Bruxelas, sobre a transmissão do comando das operações dos Estados Unidos para a aliança atlântica.

"A coalizão constituída após a reunião de Paris vai abandonar sua missão rapidamente e confiar a operação inteira à Otan e a um sistema de comando único", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davitoglu, após o governo turco retirar as restrições que vinha impondo às ações militares. "As demandas e inquietudes da Turquia foram ouvidas", afirmou.

 

 

Até agora, a Turquia - além da França - vinha bloqueando o acordo na Otan, manifestando descontentamento com os alvos das operações, em especial com os bombardeios. Com o acordo, fica esvaziado o comitê político proposto pela França, que seria formado por chanceleres da coalizão. De toda forma, o grupo se reunirá em Londres, na próxima terça-feira, confirmou ontem o governo britânico.

As operações militares na Líbia realizadas pela coalizão liderada por EUA, França e Grã-Bretanha vão perdurar "o tempo que for necessário", mas se estenderão apenas por "dias ou semanas", e não por meses. A estimativa foi feita ontem, em Paris, pelo ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, ao defender que os líbios decidam o futuro do ditador Muamar Kadafi, no poder há 42 anos.

As avaliações de Juppé foram feitas durante entrevista coletiva realizada ontem em Paris. Segundo o chanceler, não há risco de que a coalizão se envolva em um combate de longa duração na Líbia, a exemplo do que acontece com países ocidentais no Afeganistão e no Iraque.

As operações "durarão o tempo necessário para que as capacidades militares de Kadafi, que ele utiliza contra sua população, sejam destruídas", disse Juppé. "Isso pode ser contado em dias ou em semanas, a meu ver. Certamente não em meses", acrescentou o ministro francês.

À rádio RTL, Juppé ressaltou ainda que os países que integram a coalizão não querem se prolongar na Líbia. "Pode ser longo, mas nós não queremos afundar", ponderou. Mas, para ele, as operações precisam continuar porque Kadafi "ainda dispõe de meios (militares) no solo" e porque os rebeldes de Benghazi e do oeste da Líbia precisam de ajuda para pressionar o governo.

Apesar de sua posição a favor da rebelião e contra Kadafi, Juppé afirmou que a coalizão quer que os "líbios decidam" o futuro do atual governo. / COM AFP e AP

Apelo

O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse ontem a Barack Obama que as mortes de civis na Líbia devem ser evitadas a todo custo durante a intervenção militar internacional

 

 

 

 

 

 

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