Brian Snyder/REUTERS
Brian Snyder/REUTERS

Acordo nuclear pode reduzir em 40% número de centrífugas do Irã

Para diplomatas, acordo aumenta tempo que iranianos precisariam para enriquecer urânio; Casa Branca nega existência do rascunho 

O Estado de S. Paulo

19 Março 2015 | 11h09


(Atualizada às 15h20) LAUSANNE - De acordo com rascunho do acordo nuclear negociado entre o Irã e as potências do P5+1 - Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha -, Teerã pode ser forçado a cortar até 40% das centrífugas usadas pelo país para enriquecimento de urânio por, no mínimo, dez anos afirmaram nesta quinta-feira, 19, diplomatas ouvidos pela Associated Press (AP).

A Casa Branca nega que haja um rascunho do acordo. "Não há rascunho circulando", afirmou, de acordo com a Reuters. Os EUA ressaltam que as negociações ainda estão ocorrendo.

Segundo a AP, o texto ofereceria, em contrapartida, o fim imediato de parte das sanções econômicas que, nos últimos anos, tem enfraquecido a economia do país. O acordo também pode oferecer uma reversão do embargo de armas imposto pelas Nações Unidas.

As fontes ouvidas pela AP disseram que o possível acordo pode limitar em 6 mil o número máximo de centrífugas de enriquecimento de Urânio que os iranianos poderiam manter operacionais. Nas últimas emanas, os dois lados já teriam conversado sobre um limite de 6,5 mil centrífugas.

Atualmente, Teerã mantém cerca de 10 mil centrífugas em operação. O possível limite do acordo, porém, é muito superior ao teto imaginado inicialmente por Washington: de 500 a 1,5 mil centrífugas. Há cerca de um ano, os negociadores americanos diziam que um acordo com limite próximo de 4 mil centrífugas seria aceitável.

Os negociadores americanos, porém, insistem que focar apenas número máximo de centrífugas não é o mais importante. Essa medida, combinada com outras restrições sobre o nível de enriquecimento e os tipos de centrífugas que o Irã poderia usar, na entendimento de Washington, elevaria para cerca de um ano - enquanto a moratória de uma década estiver em vigor - o tempo que os iranianos precisariam para ter material suficiente para uma arma nuclear. Hoje, esse prazo é de dois ou três meses.

Criar barreiras para que os iranianos levem ao menos um ano para produzir bombar, aliás, é uma das metas do governo de Barack Obama. Depois dos possíveis dez anos de restrição do acordo, essas barreiras seriam derrubadas de forma escalonada, fazendo com que o país leve entre 15 e 20 anos para ter a mesma capacidade nuclear dispõe hoje.

Entre os países aliados dos EUA, a França é a mais relutante sobre a duração de acordo. Segundo autoridades europeias, Paris deseja que as restrições ao Irã durem até 25 anos.

Contrapartida. Como parte do acordo, sanções econômicas punitivas impostas pelos EUA seriam removidas em etapas. Obama tem autoridade para eliminar algumas medidas imediatamente, enquanto outras seria suspensas em função do comprometimento dos iranianos com o acordo. Uma parte das restrições, porém, depende de aprovação do Congresso para ser desfeita.

Não está claro o quão completo está o rascunho do possível acordo. Alterações na função de uma usina de subterrânea enriquecimento e no projeto de um reator nuclear de água pesada ainda travam as negociações. Nesta semana, o chefe do programa de energia atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou que a parte técnica da conversas está quase concluída. Nos bastidores, porém, funcionários do governo admitem que ainda existem obstáculos. / AP e REUTERS

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