Acordo palestino enterra possibilidade de diálogo, diz Israel

Vice-premiê afirma não ser possível negociar com governo cujo integrante nega o Estado judeu

Efe

24 de novembro de 2011 | 18h16

JERUSALÉM - O vice-primeiro-ministro de Israel, Silvan Shalom, afirmou nesta quinta-feira, 24, que a reconciliação entre as duas principais facções palestinas, Hamas e Fatah, enterra toda possibilidade de um eventual retorno às negociações de paz, que estão paralisadas há mais de um ano.

 

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"Não se pode conversar com um governo no qual um dos membros principais pede a destruição do Estado de Israel", declarou Shalom em referência ao movimento islamita Hamas.

 

Em seu programa de fundação, Hamas propunha o desaparecimento de Israel, mas seus dirigentes defendem há anos um acordo com base nas fronteiras prévias à Guerra dos Seis Dias de 1967, ou seja, um Estado palestino em 22% da Palestina histórica, mas sem reconhecimento formal do vizinho Estado de Israel, que ocuparia os 78% restantes.

 

O vice-primeiro-ministro, também responsável pela meta de Cooperação Regional, deixou claro que Israel "não conversará com um governo que não declare publicamente seu reconhecimento do Estado de Israel, rejeite o terrorismo e aceite os acordos previamente assinados por Israel e pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP)".

 

Trata-se das três condições do Quarteto de Madri - formado por Estados Unidos, União Europeia (UE), ONU e Rússia -, que o Hamas rejeita, o que causou seu isolamento e o boicote internacional após vencer as eleições legislativas de 2006 nos territórios palestinos. Um dos homens fortes do Hamas, Mahmoud Zahar, declarou na semana passada que seu movimento "não aceitará as condições do Quarteto".

 

Shalom fez estas declarações durante a reunião de hoje no Cairo entre o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e líder do Fatah, Mahmoud Abbas, e o líder do Hamas, Khaled Meshal.

 

Abbas e Meshal concordaram no encontro em realizar eleições gerais em maio de 2012, apesar de não anunciarem a composição do Executivo de união nacional, que será formado por tecnocratas e independentes e terá sede em Gaza.

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