Acordo para transição no Iêmen fracassa, dizem diplomatas

Diplomatas ocidentais e do Golfo não conseguiram convencer no domingo o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, a assinar um acordo que o tiraria do poder e o transformaria no terceiro líder árabe a ser deposto por protestos populares, disseram diplomatas.

MOHAMED SUDAM E MOHAMMED GHOBARI, REUTERS

22 de maio de 2011 | 14h11

Saleh, um sobrevivente político que já desistiu duas vezes de assinar o acordo no último minuto, está sob intensa pressão diplomática para selar o acordo, mediado pelo Golfo, para acabar com três meses de protestos contra o seu governo.

"Fracassou", disse à Reuters um dos diplomatas. Outro diplomata, do Golfo, disse que o Conselho de Cooperação do Golfo, bloco de vizinhos do Iêmen exportadores de petróleo, poderia cancelar a iniciativa como resultado da falha.

O acordo daria imunidade a Saleh, assegurando uma saída digna após quase 33 anos no comando do Estado da Península Arábica, localizado em uma faixa de transporte por meio da qual passam todos os dias três milhões de barris de petróleo.

Centenas de partidários armados de Saleh se uniram contra o acordo no domingo, bloqueando diversas ruas e impedindo que um mediador do Golfo deixasse a embaixada dos Emirados Árabes Unidos para ir ao palácio presidencial, em Sanaa, para a assinatura do acordo, segundo uma testemunha.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita, ambos alvos de ataques frustrados da ala da Al Qaeda no Iêmen, estão ansiosos para acabar com o impasse no país, para evitar mais caos que poderia dar à rede militante mais espaço para prosperar.

Mais de 170 manifestantes foram mortos na repressão aos protestos, que são parte da onda de revoltas que tomou conta do Oriente Médio e Norte da África e que já derrubou os líderes da Tunísia e do Egito.

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