Acordo põe fim a revolta indígena no Paraguai

Camponeses desocupam terras da etnia aché após compromisso do governo de instalá-los em outra propriedade

ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2012 | 03h02

Cerca de mil camponeses paraguaios ameaçados por 400 indígenas armados com arco e flecha decidiram ontem abandonar as terras da etnia aché. Eles aceitaram a proposta do governo de Assunção, que prometeu adquirir um terreno privado onde deverá ser criada uma comunidade agrícola.

"Não participamos da reunião dos camponeses com as autoridades do Ministério do Interior porque temos o título de propriedade da terra invadida, mas fomos informados de que eles (os agricultores) se retirariam pacificamente", disse à Associated Press Emiliano Mbejyvagi, um dos líderes indígenas da região.

Um comunicado do governo paraguaio confirmou a retirada dos camponeses da propriedade de 4 mil hectares dos aché, localizada 400 quilômetros ao noroeste de Assunção.

Na região está a reserva ecológica Mbaracayú, de aproximadamente 250 mil hectares, onde anualmente chegam de outras regiões do continente americano, entre a primavera e o verão, aves de diversas espécies.

Aproximadamente 400 guerreiros aché se prepararam para expulsar os camponeses invasores de suas terras. "Pediram três dias de prazo para que os mais de 200 grupos familiares (dos agricultores) retirem seus pertences de nossas terras", disse Mbejyvagi, referindo-se às barracas de plástico levantadas pelos camponeses nos últimos cinco meses. O governo do ex-presidente Fernando Lugo estimava em 87 mil famílias o número de agricultores sem-terra no país.

A luta por propriedade rural no Paraguai chegou a um limite no dia 15 de junho, uma semana antes da destituição de Lugo, quando um conflito entre policiais e agricultores dentro de uma reserva florestal nas proximidades das terras dos aché deixou 17 mortos.

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