Alia Dharssi/AFP
Alia Dharssi/AFP

Acordo real com príncipe Harry poderá ser modificado

Casal começa vida nova no Canadá sem saber ao certo como será o futuro; os dois continuarão a ser conhecidos como duque e duquesa de Sussex

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2020 | 18h40

LONDRES - O príncipe Harry encontrou sua mulher, Meghan Markle, e seu filho, Archie, nesta terça-feira, 21, na ilha de Vancouver, no Canadá, para começar sua nova vida fora da realeza. Há duas semanas, o casal anunciou que estava deixando os compromissos da família real. 

Com a decisão, Harry e Meghan não vão mais desempenhar funções em nome da rainha Elizabeth II, não terão suas contas pagas com dinheiro público e não poderão usar o título de “alteza real”. No entanto, tudo indica, as coisas não foram tão planejadas e acordo agora firmado pode mudar. 

Os dois continuarão a ser conhecidos como duque e duquesa de Sussex, títulos que a rainha lhes concedeu no dia do casamento. Ao tomar pé da decisão, os tabloides britânicos não perderam tempo e já apelidaram a saída como "Megxit duro" – reproduzindo a versão mais severa do Brexit discutida nas negociações durante a saída do Reino Unido da União Europeia

Em suas primeiras declarações públicas, no domingo à noite, Harry sugeriu que não esperava que tantos laços fossem quebrados. “Nossa esperança era continuar servindo a rainha, mas sem financiamento público. Infelizmente, isso não foi possível”, disse. 

Peter Hunt, especialista em Família Real da BBC, tuitou: “Não há um terceiro caminho para a realeza.” 

Agora, discute-se no Reino Unido se Harry e Meghan devem ter permissão para usar sua marca Sussex Royal – o nome que eles utilizam em suas redes sociais e no site recém-lançado, onde ainda se chamam “suas altezas reais”. Eles também estão tentando registrar o nome Sussex Royal como parte de uma marca comercial global. 

Thomas Woodcock, consultor sênior da rainha, disse ao Times, de Londres, que não considera o acordo de saída “satisfatório”. “Não se pode ser duas coisas ao mesmo tempo. Você é da realeza ou não é.” 

Robert Lacey, historiador real e consultor da série The Crown, afirmou que há um bom argumento para que ambos desistam do nome Sussex Royal. “Nem Meghan nem Harry tem relação com o Condado de Sussex. Eles não querem ser da realeza. Então, acho que eles deveriam sair para o mundo como ‘Harry e Meghan’. É quem eles são”, afirmou.

Segundo Lacey, os títulos de duque e duquesa são elegantes, mas antiquados, e a maioria das pessoas, especialmente os jovens, não entende. “Eles devem deixar tudo isso para trás.”

De acordo com os especialistas, há outras razões para que a rainha não tenha aprovado um modelo híbrido para Harry e Meghan. Um deles está no próprio Canadá, que, embora continue a ser membro da Comunidade Britânica, não estava especialmente entusiasmado por se tornar um posto avançado para a família real.

“Nossos membros da realeza não moram aqui. Eles reinam à distância. Perto de nossos corações, longe de nossos lares”, dizia o editorial do jornal canadense Globe and Mail, na semana passada. 

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Harry e Meghan agora entram em um “período de transição” e já há sinais de uma nova abordagem da vida do casal. Eles estão postando vídeos diretamente na conta do Instagram e Meghan apareceu em uma instituição de caridade canadense vestindo um suéter e jeans.

Uma autoridade do palácio disse que depois que o acordo de saída entrar em vigor, os termos serão revisados após um ano e poderão ser modificados. Ser membro da realeza pela metade não é algo tão fácil. “Você é um ou outro. Você não pode fazer as duas coisas. Ambos levam a um conflito de interesses”, disse Dickie Arbiter, ex-secretário de imprensa da rainha. / W. Post 

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