Acordo só será viável se EUA não insistirem em escudo, diz Medvedev

Presidente russo também disse estar pronto para apoiar sanções contra o Irã por programa nuclear

estadão.com.br

08 de abril de 2010 | 09h23

 

PRAGA - O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, comemorou o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês) assinado com o presidente dos EUA, Barack Obama, nesta quinta-feira, 7, em Praga, dizendo que o documento estabelece "um novo capítulo nas relações entre os dois países", mas ressalvou que "o pacto só será viável" se os EUA se mantiverem inflexíveis sobre a instalação de um escudo antimísseis na Europa.

 

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Em entrevista coletiva após assinar o tratado na capital da República Checa, Medvedev celebrou o acordo ao lado de Obama. As equipes dos presidentes negociavam um novo tratado desde antes de dezembro, quando o prazo do antigo Start, de 1991, havia expirado. "O documento mantém o equilíbrio de interesse de ambos os países. É uma situação ganhadora para todos, que beneficia toda a comunidade internacional", disse o presidente russo.

 

Medvedev, porém, disse que o tratado só terá validade caso os americanos persistam na imposição de um escudo balístico no Leste Europeu, região tradicionalmente sob influência russa. "O acordo só será viável se os EUA se mantiverem inflexíveis sobre o escudo, o que poderia alterar as forças na região", argumentou o líder russo.

 

O projeto dos EUA de instalar o sistema antimísseis foi um dos fatores que atrasou as negociações. Moscou via essa iniciativa como uma ameaça direta ao país, apesar de Washington citar que o alvo era apenas o Irã. Segundo Obama, porém, os dois lados concordaram em ampliar as conversas sobre um plano de defesa dos EUA para a Europa. A Rússia já afirmou que pode desistir do novo tratado, caso se sinta ameaçada pelo sistema de defesa dos EUA.

 

Irã

 

Em, seu discurso, Medvedev se mostrou favorável à imposição de sanções "inteligentes" contra a proliferação nuclear no Irã que induzam "ao comportamento apropriado". "Precisamos de sanções para promover que um estado se comporte de forma apropriada. Que se comporte dentro das margens da legalidade internacional", indicou Medvedev.

 

O presidente russo indicou que é "lamentável" que o Irã não tenha contestado de maneira positiva às propostas construtivas que colocaram a comunidade internacional para que renuncie a seu atual programa nuclear, mas possa contar com energia atômica para fins pacíficos.

 

Medvedev afirmou que a conversa com Obama sobre possíveis sanções tinha sido "franca" e "aberta", mas lembrou que "as sanções quase nunca dão bons resultados. Por isso reiterou que estas "devem de ser inteligentes" e dirigir-se contra a não-proliferação de armas nucleares e não criar "um problema humano" no Irã.

 

O programa nuclear iraniano, que Teerã afirma ser de fins pacíficos, mas que os EUA acreditam que procura fabricar bombas atômicas, formou um dos assuntos principais na conversa bilateral de entre Obama e Medvedev, de mais de hora e meia, antes da assinatura do acordo.

 

(Com informações da Efe, da AP e da Reuters)

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