Acordos com Brasil garantem trabalho

Pactos buscam ampliar produção de alimentos e criar empregos

, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

O Brasil mantém diversos projetos de cooperação com o Haiti. Neles, estão envolvidos Embrapa, Senai e Senac. Nos últimos cinco anos, cerca de US$ 6 milhões do contribuinte brasileiro foi enviado para a nação caribenha.Muitos dos programas são na área de agricultura familiar e segurança alimentar, numa tentativa de, pelo menos, diminuir a dependência do Haiti, que importa 60% dos alimentos.O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), por meio do fundo Ibas - Índia, Brasil e África do Sul, desenvolveu um projeto de gestão de resíduos sólidos em Carrefour-Fevilles. Ele emprega 385 haitianos, que recebem de US$ 3 a US$ 6 por dia. Um comitê, presidido pelo professor Patrick Massenat, recebe aulas de administração e acompanha todas as ações do Pnud, especialmente o pagamento dos salários. Tudo segue os desejos da comunidade. Massenat aproveita a presença da reportagem para agradecer ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pede que o chanceler Celso Amorim faça uma visita ao Haiti.Ele conta que o centro mexeu com a autoestima da comunidade. Segundo o professor, foi o projeto que impediu a entrada de grupos armados na comunidade. Depois das eleições de 2006, quando uma onda de violentos protestos tomou conta de Porto Príncipe, "a comunidade fez um cordão humano de isolamento e impediu a entrada dos manifestantes", lembra Massenat. "Nada aconteceu aqui", completa."Com o projeto, a zona de Carrefour-Fevilles é a mais limpa e próspera de Porto Príncipe", afirma. Quando há lixo nas ruas, alguém avisa para o caminhão de coleta passar.Vidros, metais e plásticos são vendidos. O papel é transformados em "briquetes", que substituem o carvão. Além de mais limpos, reduzem em mais de 50% os gastos com energia no preparo dos alimentos."Temos de trocar a caridade pela oportunidade", diz Eliana Nicolini, funcionária do Pnud e chefe do projeto. Massenat espera conseguir reproduzir o modelo para outros setores e tornar a comunidade independente dentro de alguns anos.

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