Acuadas, Farc viram tema de política externa

Na Colômbia que o novo presidente Juan Manuel Santos receberá de Álvaro Uribe no dia 7, a guerrilha não é mais um grave problema de segurança interna. Mas o recente conflito diplomático com Caracas deixou claro que, paradoxalmente, ela tornou-se um importante problema de política externa.

, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2010 | 00h00

Em 2002, quando Uribe assumiu o poder, as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) controlavam um quarto dos municípios do país. Há indícios de que, conforme o Exército colombiano apertou o certo ao grupo, os guerrilheiros começaram a cruzar as fronteiras em todas as direções, seja para fugir dos ataques das forças oficiais, comprar drogas ou se abastecer.

No Brasil, por exemplo, a Polícia Federal desativou em maio uma base das Farc em Manaus. Em entrevista ao Estado na época, um comandante desmobilizado da guerrilha contou que nos últimos anos o grupo está ampliando os negócios da droga com facções criminosas do Rio e São Paulo, do qual recebe armas e insumos.

Com a Venezuela, o primeiro conflito diplomático por causa da guerrilha ocorreu ainda em 2005, depois que Rodrigo Granda, conhecido como chanceler das Farc, foi sequestrado em Caracas, a pedido da inteligência colombiana. Em 2008, a Colômbia bombardeou um acampamento das Farc no Equador no qual estava o porta-voz da guerrilha, Raúl Reyes. E com base em informações de seus dois computadores acusou uma série de figuras políticas da região de ligações com a guerrilha.

A decisão do governo Uribe de entregar à Organização dos Estados Americanos (OEA) fotos de guerrilheiros em praias supostamente venezuelanas foi uma tentativa de colocar o tema da ação das Farc fora das fronteiras colombianas em discussão em organismos internacionais. Segundo especialistas, sem cooperação dos vizinhos é difícil que a Colômbia resolva o problema.

"O argumento do governo colombiano é que só agora ele teve acesso às fotos e Uribe tinha de deixar o cargo com esse assunto resolvido", diz o cientista político Gabriel Murillo, da Universidade dos Andes, em Bogotá. "Mas da maneira como tudo foi feito, ele acabou criando outro problema, cuja solução ficará para seu sucessor".

PARA LEMBRAR

Em 2008, tensão quase causou guerra

Em 1.º de março de 2008, o Exército colombiano, sob ordens do então ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, atacou um acampamento das Farc no Equador, matando Raul Reyes, número 2 da guerrilha. A tensão cresceu. Bogotá e Caracas mobilizaram suas tropas na fronteira e chamaram de volta seus embaixadores.

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