Acusação ameaça estabilidade em Darfur, diz diplomata

A apresentação de acusações contra o presidente do Sudão, Omar Bashir, por suspeita de genocídio representa um sério golpe contra os esforços para a paz em Darfur, declarou hoje o diplomata egípcio Salah Halima, representante da Liga Árabe. De acordo com Halima, o indiciamento também terá impacto negativo sobre a estabilidade da região.Bashir foi acusado formalmente ontem pelo procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos na região de Darfur, no oeste do país. Agora, a decisão de levar adiante ou não as acusações sobre o primeiro genocídio do século 21 está nas mãos de uma brasileira. A juíza Sylvia Steiner avaliará se as acusações são justificadas e decidirá se aceita ou não o caso, que seria o primeiro do tribunal contra um presidente em exercício.Ainda na opinião do diplomata árabe, o promotor do TPI extrapolou sua jurisdição ao apresentar contra Bashir acusações de orquestrar campanhas de limpeza étnica de tribos africanas em Darfur. Halima denunciou que outros países pressionaram o tribunal, subordinado à Organização das Nações Unidas (ONU), para acusar Bashir por motivos políticos.O Sudão não é signatário do TPI, o primeiro tribunal permanente do mundo para o julgamento de crimes de guerra, motivo pelo qual não é obrigado a acatar suas decisões.

AE-AP, Agencia Estado

15 de julho de 2008 | 10h38

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