Acusação contra Assange tem motivação política, diz advogado

LONDRES - Mark Stephens, advogado de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, disse nesta terça-feira, 7, que as acusações da Justiça sueca contra seu cliente são motivadas politicamente e que ele é inocente. As informações são do jornal britânico The Guardian.

estadão.com.br

07 de dezembro de 2010 | 14h15

 

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Assange se entregou nesta terça à Polícia Metropolitana de Londres. O australiano é procurado pela Justiça sueca por crimes sexuais e esteve no Reino Unido nos últimos dias. Promotores suecos abriram, suspenderam, e depois reabriram a investigação sobre as alegações.

 

No tribunal, Stephens defendeu seu cliente. "Aqueles que se ofereceram para pagar a fiança são apenas a ponta do iceberg. Isso vai ser tornar ainda maior. Muitas pessoas acreditam que Assange seja inocente, e eu estou incluso nesse grupo. Muitos também acreditam que as acusações são motivadas politicamente.

 

Assange é procurado por coerção ilegal, molestamento sexual e molestamento deliberado. Com uma das vítimas, ele teria feito sexo sem camisinha enquanto a mulher queria o uso de preservativos (o que configura a segunda acusação) e abusado dela de modo a violar sua integridade física (o que configura a terceira). Ainda há uma quarta acusação de que ele teria transado com uma segunda vítima sem preservativos enquanto a mulher dormia.

 

O juiz responsável pelo caso, Howard Riddle, afirmou que os vazamentos de documentos secretos dos EUA pelo WikiLeaks não têm nada a ver com o processo de Assange. Stephens se mostrou confiante de que as palavras do magistrado não foram apenas um discurso vazio. "Estou certo de que a Justiça britânica é forte o bastante para não sofrer interferências. Espero o mesmo dos promotores suecos no futuro", disse.

 

O advogado ainda disse que serão tomadas outras medidas no processo do seu cliente. "O WikiLeaks continuará. O WikiLeaks é formado por milhares de jornalistas em todo o mundo. Entraremos com um novo pedido de fiança", finalizou.

 

Assange nega as acusações de crime sexual. O crime de que ele está sendo acusado é o menos grave de três categorias de estupro. A pena máxima prevista é de quatro anos na prisão. Os crimes pelos quais ele é acusado teriam sido cometidos em agosto deste ano, em Estocolmo e Enkoping, 80 quilômetros a noroeste da capital sueca.

 

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O australiano, de 39 anos, também é procurado pela Interpol. Ele é considerado o responsável pelo constrangimento causado aos EUA com a divulgação dos mais de 250 mil documentos diplomáticos sigilosos, que revelaram bastidores e segredos da política externa dos EUA.

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