Acusação de Sharon a Arafat ofusca missão de paz

O primeiro-ministro de Israel, ArielSharon, apresentou à imprensa, neste domingo, cerca de 50toneladas de armas de fabricação iraniana apreendidas porcomandos israelenses na quinta-feira em um navio no Mar Vermelhoe acusou o presidente da Autoridade Palestina (AP), YasserArafat, de "tramar uma nova onda de terror". Funcionários da segurança israelense disseram que ocarregamento de mísseis, morteiros e minas era transportado pelaembarcação com a ajuda do grupo libanês Hezbollah e seu destinoera o litoral da Faixa de Gaza. A AP negou estar vinculada com a carga do navio, mostrou-sedisposta a ajudar na investigação e condenou "a tentativa deIsrael de acusar a Autoridade Palestina de estar envolvidanisso". O Hezbollah e o governo do Irã desmentiram que tenhamparticipado da operação. Sharon se pôs diante das armas levadas para o porto israelensede Eilat, ao lado de vários dirigentes da segurança israelense,e qualificou Arafat de "amargo inimigo de Israel". A troca de acusações entre Israel e a AP ofuscou a missão doenviado norte-americano ao Oriente Médio, Anthony Zinni, quehoje completou quatro dias de conversações com dirigentes deambos os lados, sem sinal avanços. A região permanecia relativamente calma, como vem ocorrendonas últimas três semanas, depois que Arafat fez um chamamentoaos radicais palestinos para que interrompessem os ataques. Mas Zinni não conseguiu persuadir palestinos e israelenses aporem em prática um plano de cessar-fogo elaborado no anopassado pelo diretor da CIA (Agência Central Americana), GeorgeTenet, após negociações com as duas partes. Uma comissão palestino-israelense formada por pessoal da áreade segurança iniciou neste domingo as negociações para buscarmeios de consolidar a trégua enquanto Zinni tinha previstovoltar à noite para os EUA. A AP continua reprimindo grupos radicais islâmicos e prendendoalguns ativistas. Hoje, cerca de 200 policiais entraram numcampo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia, e capturaram seismembros da Jihad Islâmica, uma das organizações que promoviamatentados suicidas contra israelenses. Entre os detidos está Ali Saffouri, que, segundo dirigentes daAP, é o segundo militante na lista israelense das 33 pessoasmais procuradas por envolvimento em atentados. Israel alega quesó foram presos até agora dez deles.

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