Acusação de vice argentino derruba procurador-geral

Renúncia de Esteban Righi ocorre depois de Amado Boudou acusá-lo de ter feito uma oferta de suborno em 2009

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2012 | 03h05

Um escândalo de corrupção cujo principal suspeito é o vice-presidente argentino, Amado Boudou, levou ontem à primeira baixa nas fileiras do governo, com a renúncia do procurador-geral da República, Esteban Righi. A saída de Righi - um histórico peronista - ocorre depois Boudou ter acusado Righi de oferecer, por meio de assessores, favores na Justiça em troca de suborno em 2009. Na ocasião, o vice chefiava o sistema previdenciário.

Boudou, diante de denúncias de envolvimento em tráfico de influências, acusou, na época, a mídia e integrantes da oposição. No entanto, causou surpresa ao atacar aliados do governo, entre eles Righi.

Boudou é suspeito de tráfico de influências na licitação da Casa da Moeda que favoreceu a empresa Companhia de Valores Sul-americana, a maior gráfica do país especializada na impressão de cédulas de pesos. O analista político e ex-embaixador Jorge Asís disse ao Estado que Cristina cometeu três erros em relação a Boudou. "O primeiro foi designá-lo vice; o segundo, sustentá-lo mesmo quando o escândalo estava crescendo sem parar. O terceiro, ter armado uma defesa quando já era tarde demais."

Setores da oposição pedem o julgamento político do vice e dentro do próprio governo um grupo quer que Boudou renuncie. Um ex-ministro do ex-presidente Nestor Kirchner afirmou ao Estado que "Cristina não removerá Boudou. Não somente porque isso implicaria um custo político que ela não quer enfrentar. Mas, principalmente, por teimosia".

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