Acusações aumentam intenção de anular voto

Interceptação de e-mails trocados entre membros do governo e das Farc causa embaraço ao candidato de Uribe

Juliana Vines, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2014 | 02h17

BOGOTÁ - A revelação de que um dos hackers que espionava as negociações de paz entre o governo colombiano e as Farc trabalhava na campanha de Oscar Iván Zuluaga, candidato do partido de Álvaro Uribe à presidência, trouxe à tona especulações de que o uribismo estaria por trás das escutas.

"É um caso escabroso. Veja o que estão fazendo os que querem continuar em guerra. Por que querem matar a esperança dos colombianos que querem a paz?", disse o presidente Juan Manuel Santos, em entrevista à W Radio, acusando a campanha de Zuluaga de sabotar as negociações.

Não é a primeira vez que Santos culpa Uribe e seus seguidores. Em fevereiro, quando foi descoberto um posto de espionagem ilegal do Exército, o presidente disse que "forças obscuras" estavam interessadas em acabar com o processo de paz.

Para Zuluaga, que nega ter contato estreito com o hacker e diz que desconhecia a existência das escutas, a revelação do escândalo e a prisão do espião, Andrés Fernando Sepúlveda, é uma estratégia de Santos.

"Esse caso coincidiu com a denúncia de que duas pessoas próximas ao governo estavam fazendo negociações com criminosos. Creio que a ideia é encobrir esse fato, que é muito grave", afirmou Zuluaga em entrevista veiculada no Canal Uno.

Segundo ele, Sepúlveda foi contratado para cuidar das redes sociais durante a campanha e dar apoio em questões de informática. "O ex-presidente Uribe nem conhece essas pessoas", completou.

Para a cientista política Sandra Borda, da Universidade de Los Andes, o escândalo e a troca de acusações faz com que os eleitores pensem que Santos e Zuluaga são iguais. "Nenhum tem credibilidade nas acusações. Com o escândalo, eles estão tentando polarizar a campanha e aumentar a exposição, mas isso pode prejudicá-los. Pode ser um tiro no pé."

A analista Marcela Prieto Botero, diretora do Instituto de Ciência Hernán Echavarría Olózaga, segue pelo mesmo caminho. "A abstenção e o voto nulo podem crescer e os outros candidatos podem se beneficiar. Não sei se a ponto de serem uma ameaça. Depende de como eles se posicionarão a seguir."

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