REUTERS/Jim Bourg
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Acusações e lágrimas marcam audiência que antecede votação de juiz para Suprema Corte dos EUA

Professora diz ter pensado que seria estuprada e juiz Kavanaugh garante que nunca atacou ninguém; votação na Comissão de Justiça será na sexta-feira e aprovação depende da decisão de três senadores republicanos e um democrata, que permanecem indecisos

Beatriz Bulla CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2018 | 21h31

A Comissão de Justiça do Senado dos EUA ouviu nesta quinta-feira, 27, os depoimentos do juiz Brett Kavanaugh, indicado pelo presidente Donald Trump para a Suprema Corte, e da psicóloga Christine Blasey Ford, que o acusa de assédio sexual. Ambos deram declarações fortes, em tom emocionado. Ela disse ter “100% de certeza de que foi atacada por Kavanaugh. Ele negou com veemência as acusações.

Christine acusa Kavanaugh de tentar estuprá-la em uma festa, em 1982, quando eles estavam no ensino médio. Ela deu um depoimento contundente no qual disse não ter dúvidas sobre o que aconteceu. Aos senadores, ela disse que a risada do juiz e de um amigo dele é a memória mais forte que possui daquele dia. 

Hoje, Christine deu detalhes do que aconteceu na festa e disse que o juiz e um amigo a empurraram para dentro de um quarto. Segundo ela, Kavanaugh estava bêbado, a apalpou e tentou tirar sua roupa. Christine disse que tentou gritar, mas teve a boca tampada por ele. 

De acordo com ela, os dois não eram próximos, mas estiveram em outras festas juntos. Aos senadores, ela disse estar “aterrorizada”, mas afirmou que considerou necessário fazer a denúncia. Desde que se pronunciou pela primeira vez, outras duas mulheres levantaram acusações de cunho sexual contra Kavanaugh: Julie Swetnick e Deborah Ramirez. 

Após Christine, foi a vez de Kavanaugh dar sua versão. Aos senadores, o juiz disse que nunca assediou uma mulher. “Eu gostava de cerveja. Eu ainda gosto de cerveja. Mas eu não bebo cerveja a ponto de ‘apagar’e nunca abusei sexualmente de ninguém”, afirmou. “Minha família e meu nome foram permanentemente destruídos por acusações falsas”, afirmou o juiz, que acusou os democratas de fabricar o escândalo para barrar sua nomeação.

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump disse que poderia ser convencido das acusações e afirmou que assistiria ao discurso de Christine. A fala foi uma mudança no tom do presidente, que até então vinha sugerindo que as acusações eram falsas.

Hoje, no entanto, Trump voltou a adotar um tom agressivo, mostrando solidariedade a Kavanaugh. “Ele mostrou aos EUA exatamente por que eu o escolhi para a Suprema Corte”, disse Trump, no Twitter. “Seu depoimento foi poderoso, honesto e cativante.” 

Indecisos

No início da noite, apesar do depoimento de Christine, a votação para confirmar o nome de Kavanaugh foi mantida para sexta-feira. No entanto, os republicanos não tinham certeza se teriam votos suficientes para aprová-la. O suspense havia sido mantido porque quatro senadores moderados ainda permaneciam indecisos.

Os republicanos Lisa Murkowski, Jeff Flake e Susan Collins, e o democrata Joe Manchin, dispensaram os assessores e se trancaram em um gabinete do Senado para debater o caso. Analistas diziam que a decisão dos quatro determinaria o futuro do juiz Kavanaugh na Suprema Corte. 

 

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