Acusações são "mentiras inescrupulosas", diz Milosevic

Mais de dois anos depois do início de seu julgamento, Slobodan Milosevic afirmou que as acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade que pesam contra ele no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) são "mentiras inescrupulosas". O ex-presidente iugoslavo, que age como seu próprio advogado, deu início aos argumentos da defesa denunciando o tribunal da ONU como um instrumento das forças ocidentais que destruíram a Iugoslávia, em guerras que deixaram mais de 200.000 mortos.Ele criticou duramente aqueles que o acusam pelos tormentos da Sérvia: a Croácia, que ele afirmou cometeu genocídio contra a minoria sérvia; os Estados Unidos e a Europa por supostamente buscar a destruição da Iugoslávia; fundamentalistas islâmicos por apoiar "terroristas" muçulmanos na Bósnia; e o Vaticano, que estaria buscando a supremacia do catolicismo romano nos Bálcãs, em detrimento da Igreja ortodoxa.Milosevic manteve que na guerra de 1991, ele entrou na Croácia para defender os sérvios de uma rebelião armada. Depois na Bósnia, combatentes muçulmanos do Irã, Arábia Saudita, Afeganistão, Líbano e Marrocos vieram "ajudar o primeiro Estado islâmico da Europa". O ex-presidente pediu que testemunhem no tribunal o ex-presidente americano Bill Clinton, sua secretária de Estado Madeleine Albright e o atual primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

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