Acusações são um 'insulto ao bom senso', diz Assad

O presidente sírio, Bashar Assad, disse que a alegação do Ocidente de que seu regime usou armas químicas é um "insulto ao bom senso". Assad disse ao jornal pró-Kremlin Izvestia em uma extensa entrevista que a Síria nunca será um "fantoche" do Ocidente e que Washington nunca conseguiu atingir seus objetivos políticos através da guerras.

AE, Agência Estado

26 Agosto 2013 | 05h28

"Os comentários (acusando o regime da utilização de armas químicas) feitos por políticos nos países ocidentais e em outros Estados são um insulto ao bom senso... É um absurdo", disse Assad.

Assad acusou os EUA de levantar alegações contra seu governo sobre o uso de armas químicas e só depois começar a buscar provas.

O presidente sírio disse que o regime sírio teria arriscado matar suas próprias forças militares se tivesse usado armas químicas. "Isso contradiz a lógica elementar", disse Assad.

"Essas acusações são completamente políticas e a razão para isso são as várias vitórias por parte das forças do governo contra os terroristas".

Segundo o Assad, não é o regime que usa armas químicas, mas os "inimigos" do governo.

Com o aumento dos pedidos para uma ação militar contra a Síria, Assad advertiu os Estados ocidentais a pararem de interferir nos assuntos de outros países e, em vez disso, "ouvir a opinião das pessoas."

"Se alguém está sonhando em fazer da Síria um fantoche do Ocidente, então isso não vai acontecer. (...) Somos um Estado independente, vamos lutar contra o terrorismo e vamos construir relações com quem nós queremos, para o bem do povo sírio".

Ele alertou os EUA contra atacar a Síria e defendeu que as campanhas militares anteriores de Washington ficaram aquém dos seus objetivos nos últimos anos.

"Os Estados Unidos enfrentam o fracasso, assim como em todas as guerras anteriores que eles travaram, começando com o Vietnã e até aos nossos dias", disse ele. "A América tem participado em muitas guerras, mas não conseguiu, em nenhuma das ocasiões, atingir os seus objetivos políticos pelos quais as guerras foram iniciadas. Sim, é verdade, as grandes potências podem travar guerras, mas eles podem vencê-las?", perguntou ele.

A Rússia é vista como o último grande aliado de Assad e também tem apoiado a sua posição sobre o suposto ataque químico. De acordo com as autoridades sírias, a ofensiva foi encenada pelos rebeldes com o objetivo de desacreditar o regime.

Assad disse que está em contato com o presidente russo, Vladimir Putin, "de tempos em tempos", e não por telefone, mas por intermediários que visitam as respectivas capitais. Questionado sobre o controverso contrato da Rússia em fornecer sistemas de mísseis S-300 a Damasco, Assad disse que "todos os contratos celebrados com a Rússia estão sendo cumpridos."

"A Rússia está fornecendo a Síria com o que é necessário para proteger a Síria e seu povo", disse ele.

Os comentários do presidente sírio foram feitos após o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, alertar o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, sobre as "consequências extremamente perigosas" de lançar uma ação militar contra o regime sírio.

Assad também criticou os Estados muçulmanos que estão apoiando os rebeldes. A autoridade disse que o Qatar era um "patrocinador de terroristas", enquanto a Turquia "treina e fornece corredores para eles."

A Arábia Saudita, por sua vez, é um país "que só tem dinheiro e alguém que só tem dinheiro não pode criar uma sociedade civilizada", disse Assad.

Questionado sobre as chances de organizar a conferência de paz de Genebra II, que tem o apoio da Rússia e dos EUA, Assad respondeu: "Nós não podemos iniciar um diálogo político até que o apoio do exterior ao terrorismo seja interrompido". Fonte: Dow Jones Newswires.

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