Acusada de abuso no Iraque intima vice dos EUA a depor

Uma audiência preliminar para o julgamento da soldado acusada de maltratar prisioneiros no Iraque foi suspensa depois que a sua defesa pediu que tanto o vice-presidente americano, Dick Cheney, quando o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, deponham no caso. Lynndie England, de 21 anos, ficou conhecida no mundo inteiro depois de aparecer em várias fotos em que prisioneiros são humilhados. Em uma delas, está rindo e segurando uma coleira presa ao pescoço de um prisioneiro. Em outras imagens, ela aponta para a genitália de um prisioneiro e aparece fazendo um gesto de aprovação diante de uma pirâmide de presos nus.A defesa de England diz que ela apenas cumpria ordens e que está sendo usada como bode expiatório para as falhas da política americana no Iraque. Ela convocou 15 testemunhas para depor, entre elas o vice-presidente e o secretário da Defesa dos Estados Unidos.AcusaçõesA audiência preliminar, que começou há cinco dias, tenta determinar se a soldado pode ser acusada formalmente e julgada pelos crimes, entre eles agressões a prisioneiros, atos indecentes e produção e posse de fotos sexualmente explícitas. A militar pode ser condenada a até 38 anos de prisão.Colegas da soldado que já depuseram disseram que ela "não era confiável" e, como trabalhava só na burocracia, "não tinha o direito de interagir" com os prisioneiros. A audiência foi suspensa sem data para o seu reinício até que o tribunal militar decida sobre a intimação das autoridades americanas.EscândaloO escândalo provocado pelos maus-tratos contra prisioneiros de Abu Ghraib teve enorme repercussão em todo o mundo e levou à suspensão da comandante da brigada da polícia do Exército que administrava a prisão. Diante das reações iradas dos países árabes, o presidente americano, George W. Bush, foi obrigado a se desculpar. Bush disse que os maus-tratos foram provocados por um pequeno grupo de pessoas.

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