Acusada de bruxaria é queimada viva em Papua Nova Guiné

Mulher foi amarrada em tronco por camponeses; mais de 50 foram mortos em 2008 sob suspeita de feitiçaria

da Redação, estadao.com.br

08 de janeiro de 2009 | 15h25

Uma mulher foi queimada viva por moradores da zona rural de Papua Nova Guiné por suspeita de bruxaria, informou a polícia nesta quinta-feira, 8. De acordo com a rede CNN, ela teria sido amordaçada e amarrada em um tronco enquanto o fogo, ateado contra uma pilha de pneus, consumia seu corpo. Ainda segundo a emissora americana, sua morte soma-se a uma crescente lista de homens e mulheres que estão sendo torturados ou mortos na ilha do sul do Pacífico por suspeitas de feitiçaria. "Tivemos muitas dificuldades em incidentes anteriores para convencer as pessoas a nos dar alguma informação", afirmou o comissário assistente da polícia Simon Kauba. "Estamos tentando persuadi-los a ajudar. Alguns perderam suas mães ou filhas na terça-feira de manhã." Na manhã de terça, um grupo de pessoas levou uma mulher, que acredita-se ter cerca de 20 anos, para fora da cidade de Mount Hagen. Lá eles tiraram a roupa da vítima, amarram seus pés e mãos, a amordaçaram com suas roupas e atearam fogo contra seu corpo, segundo Kauba, citado pela CNN. O jornal local Post-Courier informou que mais de 50 pessoas foram mortas no país em 2008 por suspeitas de bruxaria. Em um caso bastante divulgado no ano passado, uma mulher grávida deu a luz a uma menina enquanto tentava se soltar da árvore onde estava amarrada. Acusada de bruxaria, ela sobreviveu, assim como seu bebê. Segundo a CNN, mortes de suspeitos de bruxaria não é novidade nas áreas rurais do país. Nos últimos anos, a AIDS cresceu na nação de 6,7 milhões de habitantes, e os camponeses culparam os suspeitos de feitiçaria - e não o vírus - pelas mortes. De acordo com a ONU, Papua Nova Guiné concentra cerca de 90% dos casos de HIV da região do Pacífico e é um dos quatro países do bloco Ásia-Pacífico que sofre uma epidemia. "Tivemos um número de casos nos quais pessoas foram mortas acusadas de espalhar HIV ou AIDS", disse Kauba.

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