EFE/José Jácome/ARCHIVO
EFE/José Jácome/ARCHIVO

Acusada de corrupção, vice-presidente do Equador renuncia

De acordo com denúncia de ex-assessor, quando era deputada, Maria Alejandra Vicuña cobrou dele depósitos regulares em uma conta pessoal dela para que continuasse no cargo

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2018 | 21h32

QUITO - A vice-presidente do Equador, María Alejandra Vicuña, renunciou ao cargo nesta terça-feira, 4, em meio à acusação de cobrança de propina na época em que ela era congressista.

Na carta de renúncia, publicada em sua conta no Twitter, Vicuña afirmou que não permitirá que as presunções contra ela sejam utilizadas para criar um ambiente de instabilidade no governo ou rumores que envolvem até a possibilidade de renúncia do próprio presidente, Lenín Moreno.

"O país não merece essa instabilidade, por isso apresento a renúncia ao meu cargo como vice-presidente. Não vou deixar que me associem a rumores de morte cruzada, de renúncia do presidente ou de grave comoção interna", escreveu. Vicuña garantiu que, com a decisão, pretende contribuir para que o país tenha "paz para avançar".

O anúncio da renúncia foi feito um dia depois de Moreno a afastar temporariamente das funções como vice-presidente para se defender na Justiça das acusação e após ela negar taxativamente que deixaria o posto.

"Decidi liberar de suas funções a senhora vice-presidente, María Alejandra Vicuña, para que possa exercer sem interferência o seu direito à legítima defesa", anunciou ontem Moreno, que encarregou temporariamente a José Augusto Briones, secretário-geral da Presidência, as atividades que correspondiam à vice-presidente.

Denúncia

De acordo com denúncia do ex-assessor legislativo Ángel Sagbay, a vice-presidente cobrou dele depósitos regulares em uma conta pessoal dela, entre 2011 e 2013, supostamente como contribuição obrigatória ao partido ABA, ao qual são filiados, e como condição para que ele ficasse com o cargo. Devido ao escândalo, vários parlamentares pediram que Vicuña seja alvo de um processo de impeachment.

A vice-presidente, que negou qualquer irregularidade nas cobranças, foi nomeada para o posto em outubro de 2017 para o lugar de Jorge Glas, que foi preso preventivamente por suposta participação no grande caso de corrupção internacional envolvendo a empresa brasileira Odebrecht.

Em entrevista à agência EFE na última sexta-feira, Vicuña confirmou os depósitos em sua conta, mas negou que eles tivessem sido condição para que Sagbay se tornasse assessor ou permanecesse no cargo, e alegou que por trás da trama poderia haver "interessados", dentro do próprio governo de Lenín Moreno, em assumir a vice-presidência. / EFE

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