REUTERS/Denis Balibouse
REUTERS/Denis Balibouse

Acusada de usar armas químicas, Síria assume presidência de Conferência de Desarmamento da ONU

Responsável por negociar acordo de controle de armas e defender a não proliferação de armas nucleares, órgão é um dos pilares do sistema internacional de segurança; EUA, Reino Unido, França e outros países do Ocidente protestam

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 13h11

GENEBRA - Sob protestos, o governo de Bashar Assad assumiu nesta terça-feira, 29, a presidência da Conferência de Desarmamento da ONU. Acusado de crimes contra a humanidade e de ter usado contra sua própria população armas químicas, Damasco presidirá a negociação por um mês. 

Quase 3 milhões de menores estão há 7 anos sem estudar com a guerra na Síria

Respondendo a critérios de rotatividade, a Conferência não teve outra opção senão a de passar para a Síria a chefia dos trabalhos. Mas a decisão foi alvo de condenação por parte de governos ocidentais. A delegação americana, por exemplo, abandonou a sala quando a primeira reunião começou, nesta terça. 

A polêmica chegou até a cúpula da ONU. Antônio Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, indicou que não tem poderes para mudar a rotação da presidência do grupo.

Ativistas e governos dizem não ser aceitável a participação em um encontro internacional sobre desarmamento presidido por um governo suspeito de ter usado armas químicas no dia 7 de abril, em Duma. 

Estado Islâmico desiste de seu último reduto na capital síria

Responsável por negociar um acordo de controle de armas e defender a não proliferação de armas nucleares, a Conferência de Desarmamento é um dos pilares do sistema internacional de segurança. Sua presidência é estabelecida por uma rotação por ordem alfabética. 

Robert Wood, embaixador dos EUA na ONU, liderou o protesto contra os sírios e abandonou sua cadeira enquanto Damasco assumia o cargo. Washington, porém, não fala em um boicote total da conferência.  "Estamos deixando a sala e vamos tomar outras iniciativas ao longo da presidência síria", prometeu o diplomata americano. 

"O regime sírio cometeu inúmeros crimes contra seu povo pelo uso de armas químicas e não é aceitável que eles liderem esse órgão", disse Wood. "Esse é um dos dias mais negros da história da Conferência de Desarmamento. O regime (de Assad) não tem nem a credibilidade e nem a autoridade moral de presidir os trabalhos. A comunidade internacional não pode se silenciar", completou. 

Países como Reino Unido, Austrália e França se somaram ao protesto americano. "É algo deplorável", disse o embaixador britânico, Matthew Rowland, num discurso diante do representante da Síria. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.