ALEXANDER UTKIN / AFP
ALEXANDER UTKIN / AFP

Acusado checheno diz que planejou morte de opositor russo por críticas ao islamismo

Dadaev recebeu a ajuda de outros quatro suspeitos e confessou ter sido motivado por apoio de Nemtsov às sátiras do 'Charlie Hebdo'

O Estado de S. Paulo

09 Março 2015 | 11h04

MOSCOU - Zaur Dadaev, o checheno detido acusado de matar o oposicionista russo Boris Nemtsov, confessou ser o autor intelectual e único organizador do crime, motivado pelas críticas do político ao islamismo e apoio às caricaturas do jornal satírico francês Charlie Hebdo ao profeta Maomé, disse uma fonte da polícia à agência russa Rosbalt.

"Dos poucos depoimentos se deduz que ele foi o mentor do crime", afirmou outra fonte policial à agência Interfax. Além disso, "as primeiras perícias indicam que Dadaev é o autor dos disparos que atingiram Nemtsov, mas isso só poderá ser confirmado com 100% de certeza quando se encontrar a arma do crime", acrescentou a fonte.

A pessoa consultada pela agência Rosbalt informou que Dadaev confessou ser o organizador do crime e tomou sua decisão pelas reiteradas críticas de Nemtsov aos muçulmanos que vivem na Rússia e ao próprio islamismo. As autoridades russas acreditam ter provas suficientes para acreditar na confissão de Dadaev, "por isso já não se deve esperar grandes revelações ou prisões", acrescentou a fonte.

Dadaev, ex-agente das forças especiais chechenas, revelou à polícia todos os detalhes do assassinato, segundo a fonte, e reconheceu a participação no crime de outros quatro detidos.

Atuação. Após decidir que Nemtsov devia ser punido por suas críticas ao islã, Dadaev entrou em contato com dois sobrinhos, Zaur e Shajid Gubashev, que estavam há uma década vivendo nos arredores de Moscou, Eles envolveram na trama outros dois chechenos, Tamerlan Ekserjanov e Jamzat Bakhaev.

Segundo a investigação, os suspeitos souberam pela internet que às 20 horas (horário local) do dia 27 de fevereiro Nemtsov participaria de um programa ao vivo nos estúdios da emissora Eco de Moscou. Imagens das câmeras colocadas nos arredores do estúdio indicam que os supostos assassinos seguiram seu alvo de carro a partir deste local, segundo a agência Rosbalt.

Horas mais tarde, por volta das 23h30, Nemtsov foi assassinado com quatro tiros nas costas quando caminhava com a modelo ucraniana Anna Duritskaya por uma ponte em pleno centro da capital russa, a poucos metros da Praça Vermelha.

Aparentemente, os assassinos os seguiram primeiro até um centro comercial na Praça Vermelha, onde Nemtsov jantou com a modelo, e depois até a ponte onde, segundo a confissão de Dadaev, o opositor foi morto.

Sátiras. Pouco depois do atentado contra a redação do Charlie Hebdo em janeiro, Nemtsov apoiou os jornalistas do semanário francês e justificou suas caricaturas contra Maomé.

O opositor escreveu em seu blog da "Eco de Moscou" que "o islamismo se encontra na Idade Média" e qualificou a tragédia da França e o terrorismo jihadista de "inquisição islâmica". /EFE

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