Acusado de 11/9 diz que não sente remorso

Zacarias Moussaoui, o único acusado por envolvimento direto nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, disse que não lamenta e nem sente remorso pelos ataques que mataram quase 3 mil pessoas. Ele disse nesta quinta-feira que estaria disposto a matar americanos "a qualquer hora, em qualquer lugar", quando indagado por um advogado. Contrariando recomendação de seus advogados, Moussaoui prestou depoimento, explicando longamente porque odeia americanos. Ele criticou ainda o apoio dos Estados Unidos a Israel. "Vocês são a cabeça da serpente para mim. Se nós quisermos destruir o Estado judeu da Palestina, nós temos que destruí-los primeiro", afirmou o réu. "Interesses velados" Moussaoui deu início a seu testemunho atacando seus próprios advogados de defesa, que foram designados pelo tribunal. Ele afirmou que os advogados estão atendendo a interesses ocultos. ?Vocês colocaram seus interesses velados, ao manter este casos em suas mãos, acima do meu interesse em salvar minha vida?, disse ele no tribunal. Ele tem se recusado a falar com seus advogados e acusou Gerald Zerkin, que comanda a equipe de defesa, de haver vetado seus pedidos para que fosse representado por um advogado muçulmano. Caixa preta Moussaoui disse que se estivesse sob o controle da própria defesa ele argumentaria que deveria escapar da pena de morte para ser eventualmente trocado por prisioneiros americanos capturados no exterior. Os defesores de Moussaoui argumentam que ele sofre de problemas mentais e deveria ser condenado à prisão perpétua, não à pena de morte. A promotoria concluiu sua participação no julgamento na quinta-feira, com a apresentação das gravações da caixa preta de um dos aviões usados nos atentados de 11 de setembro. Durante sua apresentação no tribunal nesta quinta-feira, Moussaoui gritou: "Vitória para Moussaoui! Deus amaldiçoe todos vocês." A defesa de Moussaoui afirma que ele deve ser poupado da pena capital devido a seu papel limitado nos atentados, supostas provas de seus problemas mentais e porque sua execução representaria cumprir seu sonho de se tornar um mártir. Mas a promotoria alega que ele seguiria representando um risco de segurança se fosse mantido vivo dentro de uma prisão. Para contrapor esse argumento, a defesa apresentou como testemunha um ex-carcereiro com 30 anos de experiência que argumentou que Moussaoui seria provavelmente colocado em solitária em uma prisão de segurança máxima, o que iria seguramente aplacar seu ânimo.

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